Alerta de tsunami – I

Não devemos esperar uma crise para iniciar o diálogo com nossos filhos sobre drogas, sexualidade e namoro.

O problema das drogas já é tão recorrente que não conseguimos imaginar como possa ainda nos surpreender ou nos tocar. No entanto, recentemente vi num telejornal uma cena que me causou muita dor: uma repórter entrevistava uma criança de 10 anos viciada em crack desde os sete. O menino narrava, apertando as mãozinhas e com uma voz totalmente infantil, como começara a mendigar e depois a furtar para alimentar o vício.

Infelizmente, esta realidade não está longe dos lares cristãos. Apesar de toda instrução na Palavra de Deus e do conhecimento secular que temos, nossos filhos não estão imunes a vícios em drogas, alcoolismo, violência, sexualidade precoce e diversas depravações. Muitas vezes, nós, pais, nos sentimos impotentes diante destas situações, pois ficamos esperando alguma sirene tocar para agirmos. Como no caso de alerta de tsunami, muitas vezes quando ele chega, pouco ou nada pode ser feito.
Sabemos que a Palavra de Deus é um guia infalível sobre a educação de filhos e promoção do desenvolvimento moral e espiritual deles.  Um excelente exemplo de orientação para os pais está em Deuteronômio 6:5-8: “Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. Estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração. As inculcarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos.”

Há uma grande riqueza de ensinamentos neste texto, mas destacaremos inicialmente os versículos 5 e 6, que dizem respeito à autoridade de nosso ensino. Eles nos mostram que, antes de ensinar a nossos filhos, precisamos amar a Deus intensamente ao ponto de que a sua Lei e seus mandamentos estejam profundamente arraigados em nosso coração. Sabemos que as crianças aprendem muito mais pelo exemplo do que pelas palavras; portanto, a integridade e autoridade daquilo que falamos devem partir, em primeiro lugar, de nosso testemunho e exemplo.

Não somos pais perfeitos e jamais devemos tentar passar esta imagem, mas precisamos ser coerentes e exigir deles o que somos capazes de fazer. Se  mentimos, descumprimos nossas promessas ou temos uma vida cristã relaxada, não podemos esperar e exigir deles atitudes contrárias.

Um segundo aspecto importante está no versículo 7, que nos mostra que precisamos “inculcar” os ensinamentos em nossos filhos. Inculcar pode ser traduzido como “imprimir no espírito de alguém”. Mas como isso acontece?  “…falando assentado em casa, andando pelo caminho, sentando-se e levantando-se”, ou seja, repetindo insistentemente, em todos os lugares e ocasiões, aproveitando e criando oportunidades.

Até mesmo os estudiosos do comportamento humano concordam, ao afirmar que o caminho para a prevenção e superação dos dilemas desta geração é o diálogo. Justamente por entender essa necessidade, devemos conversar  muito mais com nossos filhos do que nossos pais conversavam conosco. Informamos, orientamos, alertamos e… nem sempre tem funcionado. Parece que cada vez exercemos menos influência sobre as atitudes deles, pois estão entrando na vida sexual precocemente, envolvendo-se com drogas, prostituição, degradando-se moralmente e espiritualmente.

Mas, se conversamos mais com nossos filhos, porque parece que não está funcionando?
Talvez, justamente porque não estamos seguindo corretamente o ensino da Palavra: estamos demorando demais para agir!. Normalmente esperamos para iniciar o diálogo com nossos filhos em momentos de crise ou quando achamos que estão se tornando mais vulneráveis, por exemplo, no início da adolescência. Infelizmente pode ser tarde! Temas como drogas, sexualidade e namoro devem fazer parte do dia-a-dia de nossa casa, como banho, alimentação e estudo, pois é com essa naturalidade que as informações deturpadas entram na vida deles, através da TV, internet e até mesmo da escola.

Diálogo e insistência são atitudes fundamentais para “inculcar” ou colocar ensinamentos na mente de nossos filhos, mas são apenas o começo.  É preciso ir além, fazendo com que estes ensinos entrem também no coração deles, como estão no nosso. A memória pode falhar e a mente se corromper, mas o que eles guardarem em seu coração, jamais será esquecido. Este, possivelmente, é o maior desafio que temos como pais.

Romi Campos Schneider de Aquino, psicóloga, é diaconisa na IAP em Curitiba (PR).