Artigos Demi

Passava do meio dia do sábado, quando minha esposa e eu chegamos ao hotel Araras, em Bonito (RS), escondido entre uma maravilhosa vegetação, soprado por uma calma e tranquilizante brisa. Não sei por que, sabia que seríamos recebidos pela diaconisa Zildeli do Carmo. Com seu inconfundível e amável sorriso nos saudou: “Paz do Senhor, irmã Fatima! Paz do Senhor, pastor Ismael”. O evento era o Congresso Ministerial dos pastores e esposas da Igreja Adventista da Promessa – Convenção Sul Matogrossense, realizado na Cidade de Bonito, em junho de 2017.

Orientados pelo pastor Marcos Del Pozzo, fomos ao restaurante do hotel, simples e aconchegante, comum aos de fazenda. Tentamos esconder nosso constrangimento por chegarmos atrasados, mais não foi preciso. Acenos, apertos de mãos e abraços nos acomodaram rapidamente ao ambiente. Fiquei feliz ao rever meus amigos e companheiros de trabalho, mas confesso que passei várias vezes o olhar entre os que estavam sentados à mesa para ver quais eu não conhecia. Curioso, queria saber quem viera falar a nós? “Provavelmente aquele casal sentado no canto direito do salão”, pensei. Estava certo, fiquei sabendo mais tarde que eram o pastor Elias Alves e a diaconisa Marilsa, sua esposa, nossos preletores. Enquanto almoçava, imaginava: “Como será nosso encontro?” Bem ali, uma autêntica sensação de paz.

Coube à diaconisa Marilsa a primeira fala da tarde, e com impressionante convicção, fez nos ouvir frases como: “não descuidem de si e da família, pastores.” O “estresse é uma grande realidade em nosso meio.” “Há famílias de pastores sendo destruídas por falta de cuidados.” Síndrome de Burnout. Que síndrome é essa? “Esta é a síndrome do esgotamento em função de exercícios profissionais que exigem envolvimento interpessoal direto e emocionalmente mais intenso”, dizia ela. “Isso pode acontecer a vocês, pastores.” À medida que a ouvia, sentia a seriedade do que nos ensinava. Por vezes, a palavra era interrompida pelas lágrimas da amada irmã, e nestes momentos aparecia a Diaconisa Dilce, trazendo água e lenço, coisas de quem sabe ser amável e pronta para servir.

Era justificável chorar, pois saber que um companheiro, mesmo que de outro ministério, desistiu da luta é lamentável, mas ouvir que desistiu da vida é profundamente triste. Realmente, não havia como não nos entristecermos. Ao final da tarde, o pastor Elias, demonstrando vasta e sóbria experiência ministerial nos fez lembrar : Deus é maravilhoso. “Só Ele sara os de coração quebrantado e cuida das suas feridas” Salmo. 147.3. Ouvimos dele: “Ao longo da vida já tive muitas feridas, mas nenhuma está aberta.” Glorificamos a Deus. Sorríamos. Abraçávamos. Findava o sábado e víamos que foi muito bom.

Quem viera nos falar? Neste momento já não havia mais dúvidas, Deus, através de seu Santo Espírito, aprouve nos falar. Uma cobertura, misto de antigo com o novo, madeiras e alvenarias, serviu como palco. Deus enxergou nossos corações, nossas necessidades e nossas famílias e a Convenção foi sensível à voz do Soberano. Naquele final de semana, era definitivamente uma obra de Deus. De repente me via de joelhos, lavando os pés de minha amada esposa, ladeado por homens e mulheres igualmente descalçados na presença do eterno Pai, naquele santo momento da Ceia do Senhor. Glórias a Deus! Aleluias eram palavras sinceramente fáceis para todos nós naquele maravilhoso encontro.

A mim estava proposto realizar o devocional naquela singular manhã de domingo, refletindo em como o Espírito Santo nos faz caminhar na mesma direção, apesar de nossas evidentes diferenças e características pessoais. “Pedro e João subiam juntos ao templo para orar”, dizia eu, aludindo ao Atos 3:1. Tudo que víamos e ouvíamos nos fazia crer seguramente, apesar das lutas enfrentadas, de que “estamos seguros nos braços do supremo Pastor”, e assim nos confortava Deus através das palavras inspiradoras do pastor Elias. Estávamos chegando ao fim daquele maravilhoso e inesquecível encontro com nossos irmãos, pastores e esposas. Uma sensação de renovo, descanso e paz nos abraçava. Deus nos confirmou, que Ele, Ele mesmo, nos chamou para o seu glorioso serviço.

Caminhando por entre as árvores, pastor Josiel e eu conversávamos sobre o que nos era comum e, descontraidamente, tivemos um momento “Grupo Logos”:
“Situações nessa vida me fazem sentir
Que não sou forte a ponto de até resistir
Nestes terríveis momentos, os maus pensamentos me querem levar
A um extremo de vida que meu equilíbrio se deixa enganar

Instantes que se prolongam, tentando mudar
Tudo o que já se fez de novo, pois Cristo mudou
Tentando hoje trazer o que eu tento esquecer
Sou vencedor e ninguém poderá me deter

Pois eu sei que jamais eu provado serei
Além do que eu possa suportar
E se ainda, eu cair e pensar que é o fim
Jesus me ergue e segue junto a mim

Jesus me ergue e segue, sim
Jesus me ergue e segue, sim
Jesus me ergue e segue junto a mim.”

Pr Ismael Narcizo é responsável pela IAP em Douradina (MS).

06/11/2017

Um lindo encontro em Bonito (MS)

Passava do meio dia do sábado, quando minha esposa e eu chegamos ao hotel Araras, em Bonito (RS), escondido entre uma maravilhosa vegetação, soprado por uma […]
31/10/2017

Soli Deo Gloria

Escolhemos dar somente a Deus a glória porque não há ninguém como Ele Queremos refletir no último dos cinco “solas” da Reforma Protestante o “Soli Deo […]
30/10/2017

Sola Fide

Sem a fé, não somos convertidos, mas religiosos vazios, escravos de nossas obras Sola Fide em latim, que se traduz por “somente pela fé”, foi uma […]
26/10/2017

Solus Christus

O que faremos nós, se não atentarmos para Ele, como nossa única possibilidade de salvação? Dentre as heranças da Reforma Protestante está a expressão em latim […]