Devemos pedir “misericórdia” ao Senhor, por israelenses e palestinos

Só quem está no meio do conflito sabe o que o cheiro de pólvora traz.

O cheiro de pólvora inunda os ambientes pela manhã, tarde, noite, o dia inteiro. E só quem sente o cheiro de pólvora sabe o que esse odor traz consigo.

O cheiro de pólvora traz a incerteza de um amanhã de paz. E só quem sente o cheiro de pólvora para dizer o quão distante essa paz parece estar.

O cheiro de pólvora traz, na carona, o medo. E só quem sente o cheiro da pólvora para afirmar que medo tem cheiro.

O cheiro de pólvora traz à memória a obrigação de sofrer por um ideal que talvez não seja o seu. E só quem sente o cheiro da pólvora pode, de alguma forma, explicar o sofrer por um ideal que não o seu.

O cheiro de pólvora traz a ira onde habitava alguma coisa parecida com paz. E só quem sente o cheiro de pólvora para justificar essa metamorfose frequente entre quase paz e ira.

O cheiro de pólvora traz a intolerância onde habitava a inocência. E só quem sente o cheiro de pólvora é capaz de explicar essa permuta tão incoerente.

O cheiro de pólvora é o aroma da dor em seus níveis mais inacreditáveis. E só quem sente o cheiro da pólvora sabe a dor que esse cheiro traz.

O cheiro de pólvora ensina que se deve odiar, simplesmente, porque se deve odiar. E só quem sente o cheiro da pólvora para decidir se entra ou não nesse ciclo que se segue.

Só quem sente o cheiro de pólvora pode, quem sabe um dia, explicar os reais motivos de tanta crueldade banal com a vida.

Talvez você ache que o cheiro de pólvora não seja capaz de fazer tudo isso com alguém, mas isso é porque o único cheiro de pólvora que eu e você nos lembramos, com frescor em nossas memórias, seja dos fogos de artifício que foram usados na Copa do mundo, nos jogos do Brasil. Porém, o cheiro espalhado por mísseis, foguetes, bombas e homens bombas trazem tudo isso e muito mais.

Creio que “misericórdia” para israelenses e palestinos da faixa de Gaza seja a coisa mais sensata a se pedir ao Eterno nesse momento. Além, é claro, que o odor da pólvora seja dissipado pelo cheiro suave do sacrifício de Cristo (Efésios 5:2).

Anderson Zanella congrega na IAP em Itatiba (SP).

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