Dicas da lição 3 – “A origem do evangelho”

A origem do evangelho

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Dicas

Reflexão 1: As diferenças entre o falso e o verdadeiro evangelho no século XXI. Escolha duas pessoas que tenham um bom tom de voz e boa dicção. Coloque uma ao lado da outra, defronte aos seus alunos, cada qual com uma folha de papel listando as características do falso e do verdadeiro evangelho – uma folha com as características do falso evangelho e outra folha com as características do verdadeiro evangelho, cada qual numeradas de 1 a 10.
Em tom de descontração, diga que a primeira pessoa representa o “DESEVANGELHO” e a outra pessoa representa o evangelho de Cristo. Peça para essas duas pessoas lerem, intercaladamente, cada um dos itens da lista, bem alto para todos ouvirem e em bom ritmo, sempre antecedendo cada fala com “O FALSO/VERDADEIRO EVANGELHO…”:

O FALSO EVANGELHO O VERDADEIRO EVANGELHO
1. Prega o reino da terra, aquisição de riquezas, prosperidade e boas coisas desse mundo 1. Prega as boas novas de salvação, permitindo o salvo em Cristo entrar no Reino de Deus
2. Prega uma mensagem que atende as necessidades humanas e que soa bem aos ouvidos 2. Prega o arrependimento, mudança de vida e a cruz (I Cor. 1: 8)
3. Apresenta uma mensagem centrada no homem e em suas vontades 3. Apresenta uma mensagem centrada unicamente em Cristo (I Cor. 2: 2)
4. Diz que estamos livres de problemas, senão não temos fé 4. Nos convence que podemos passar por aflições se estivermos dispostos a sofrer pelo evangelho
5. Prega mensagens de autoajuda 5. Prega a ajuda do alto (Rom 1: 16)
6. Leva as pessoas a acreditar que Deus é o verdadeiro dono do “baú da felicidade” 6. Espera que adoremos a Deus pelo que ele é, voluntariamente, em espírito e em verdade e não pelo que ele pode nos dar
7. Faz as pessoas adorar e idolatrar cantores gospel, apóstolos, bispos, pastores fazendo com que suas palavras tenham mais peso do que a Bíblia 7. Faz o pecador prostrar-se, humilhar-se e quebrantar-se diante do Deus Todo-poderoso (Mat. 15:25)
8. Ensina que apóstolos, bispos, pastores e líderes são “ungidos”, e como tal, são inquestionáveis. 8. Ensina que devemos examinar tudo e reter o que é bom (I Tess. 5: 19-22)
9. Ensina que podemos dar ordens a Deus, determinar, colocá-lo na parede como nosso servo. 9. Ensina que somos servos de Deus e que devemos obediência irrestrita à sua Palavra
10. Não incentiva a leitura e o estudo da Bíblia Sagrada para tornar possível sua deturpação 10. Incentiva o cristão a estudar e a praticar os ensinos bíblicos (Os. 4: 6, Atos 17: 11, II Pedro 3: 18)

Peça para seus alunos aplaudirem a apresentação e, se possível, distribua uma cópia com o quadro acima à classe.

Reflexão 2: Frases estranhas ao evangelho original de Cristo. Proponha uma reflexão sobre frases “evangélicas” comumente ouvidas no rádio, na televisão, pela internet e (pasmem!) até nos cultos de igrejas evangélicas. Leia algumas delas para mostrar que, ao dizê-las, podemos desvirtuar o verdadeiro sentido das boas novas de salvação. Eis algumas delas abaixo:
• Eu tenho certeza que aquele irmão morreu salvo e foi para a glória;
• Eu, como ministro do evangelho, declaro perdoado o adultério do Fulano com a Cicrana;
• O Senhor me disse para não pedir misericórdia porque ele vai fazer do seu jeito;
• Essa opressão satânica é hereditária;
• O anjo estava trazendo a sua bênção, mas voltou porque tu não estavas ligado!
• Sua fé é do tamanho da sua oferta;
• É preferível uma igreja com poucos membros, mas todos santos, do que uma igreja cheia de crentes comuns;
• Devemos orar de madrugada porque a fila é menor;
• O pastor Fulano de Tal é homem de Deus, ungido, mas não tem visão espiritual;
• “A minha vitória tem sabor de mel, tem sabor de mel, tem sabor de mel…”
• Tome posse da bênção.
E por aí vai…

Reflexão 3: Distorção subliminar do evangelho. Combine com um dos presentes na aula, aquele que notoriamente conta com grande credibilidade entre os irmãos da igreja, um presbítero de notável saber ou um outro professor da escola bíblica para, num dado momento combinado entre vocês, pedir a palavra, se levantar e fazer um comentário rápido. Esse comentário deverá conter informações que, sutilmente, depõe contra uma verdade bíblica. Quando essa pessoa concluir sua fala e se assentar, pergunte para a classe se há alguém que deseja fazer mais algum comentário. Se alguém se manifestar e contraditar o que fora falado a pouco, lhe dê os parabéns! Peça para todos o aplaudirem porque ele percebeu algo de estranho no ensino daquele irmão. Se ninguém se manifestar ou se os comentários seguintes confirmarem ou verterem para outro ponto, declare que aquilo que aconteceu a pouco fora uma encenação, ou seja, uma mostra de como podemos ser facilmente enganados. Enfatize a preocupação do apóstolo Paulo em orientar os irmãos da Galácia quanto ao cuidado com os falsos ensinos (que tem aparência de ensinos corretos e bíblicos).

OBSERVAÇÃO: Deixe bem claro que o comentário herético do irmão fora combinado previamente e tudo não passou de uma encenação.

Exemplo de um comentário com detalhe destoante da Bíblia: “Como podemos ver em Gálatas 1:13, a Bíblia mostra o quanto o apóstolo Paulo fora zeloso pelos princípios da religião judaica. Ele mesmo reconhece que perseguia a igreja de Cristo com o propósito de destruir aqueles que seguiam a doutrina de Jesus. Mas um dia ele teve um encontro com o Senhor dos senhores, foi transformado pelo evangelho e, assim, pode convencer aos cristãos a seguir as tradições dos anciãos e se tornou o grande apóstolo dos gentios.”
Bom, esperamos que VOCÊ tenha percebido o que tem de errado na fala acima!

Material de apoio: Use os comentários adicionais, disponíveis no espaço abaixo, para complementar a aula.

Comentários Adicionais

    1. A importância da procedência
      “Faço-vos, porém, saber: quando Paulo usa este método de expressão pretende chamar a atenção específica ao assunto que está para ser introduzido, como fica claro em 1 Coríntios 12:3; 15:1; 2 Coríntios 8:1. A origem do evangelho é de importância tão vital que não pode haver sombra de dúvida sobre ela. Todos os seus leitores devem conhecê-la. Continua sendo tão importante quanto nos dias de Paulo ter conhecimento desta questão, e sua cuidadosa explanação do assunto colocou os cristãos de todos os períodos da história em dívida para com ele”. (GUTHRIE, Donald. Gálatas: introdução e comentário. Tradução Gordon Chown. São Paulo: Mundo Cristão e Vida Nova, 1984, p.77).
    2. O evangelho não é humano
      “Não é de origem humana. Não foi forjado pelo intelecto humano. Não é um sistema filosófico, nem uma fé religiosa criada por algum gênio religioso. Além disto, não era um desenvolvimento humano da religião judaica. É algo sobre-humano, que não pode ser reduzido a termos humanos. A frase grega kata anthrõpon significa rigorosamente segundo o homem. A idéia é que o evangelho não se conforma com aquilo que o homem julga que um evangelho deve ser. Seu molde ou padrão era outro. Uma outra espécie de mente estava por detrás dele [a de Deus] Não há substituto para um evangelho dado por Deus”. (GUTHRIE, Donald. Gálatas: introdução e comentário. Tradução Gordon Chown. São Paulo: Mundo Cristão e Vida Nova, 1984, p.78).
    3. Paulo, antes do evangelho
      “É interessante observar as palavras usadas para descrever as atividades de Paulo quando ainda era Saulo de Tarso e perseguia a Igreja. Ele consentiu com o assassinato de Estêvão (ver At 8:1) e, depois, passou a assolar a igreja (ver At 8:3), separando famílias e colocando cristãos na prisão. O próprio ar que respirava encontrava-se saturado de ameaças e morte (At 9:1). Estava de tal modo determinado a destruir a Igreja que votou em favor da execução dos cristãos (At 22:4, 5; 26:9*11). O apóstolo menciona esses fatos em suas epístolas (1 Co 15:9; Fp 3:6; 1 Tm 1:13), admirando-se de que Deus tenha salvo um pecador como ele”. (WIERSBE, Warren W. Comentário bíblico expositivo: Novo testamento: vol. 1. Tradução de Susana E. Klassen. Santo André: Geográfica, 2006, p.897)
    4. Os efeitos do evangelho
      “E o mesmo Deus que salvou Paulo chamou-o para ser apóstolo e lhe deu a mensagem do evangelho. Assim, ao negar o apostolado de Paulo e seu evangelho, os judaizantes negavam sua conversão! Por certo, Paulo pregava a mesma mensagem na qual cria: a verdade que o havia transformado. Mas uma simples mensagem humana não é capaz de produzir tal mudança. A argumentação de Paulo é conclusiva: sua conduta passada como perseguidor da Igreja, somada à transformação extraordinária pela qual havia passado, provavam que sua mensagem e ministério eram provenientes de Deus”. (WIERSBE, Warren W. Comentário bíblico expositivo: Novo testamento: vol. 1. Tradução de Susana E. Klassen. Santo André: Geográfica, 2006, p.898).
    5. A universalidade do evangelho
      “… a comissão não era simplesmente pregar. Se tivesse sido expressa assim, com toda a probabilidade Paulo se teria confinado aos judeus, hebreu dos hebreus ardente como era. Mas a orientação da mesma, voltada para os gentios, parece tê-lo impressionado desde o momento da sua conversão […] Uma vez que esta notável característica do evangelho [sua universalidade] tivesse dominado o apóstolo, não é de admirar que ele sentisse tão profundamente as tentativas dos judaizantes que insistiam em escravizar os gentios às exigências rituais judaicas”. (GUTHRIE, Donald. Gálatas: introdução e comentário. Tradução Gordon Chown. São Paulo: Mundo Cristão e Vida Nova, 1984, p.83).