Em busca de ouvir e ser ouvido

“Não há nenhum som ou voz no mundo que não tenha sentido” (I Co 14:10-11)

Em nossos dias, é voz corrente o seguinte grito: “Queremos ser ouvidos; queremos ser ouvidos”. E que não o quer?! São vozes que partem de todos os lados, em busca de respostas, nem sempre satisfatórias.

É a criança que chora, que grita; o jovem e o filho que clamam. “Todos reclamam e ninguém tem razão”, no dizer popular.

Na corrida desenfreada de nossa vida, somos impulsionados por esses vozerios que partem de todos os lados, cada um querendo expressar alguma coisa. Vozes que vão e vêm.

Vozes da rua, vozes de movimentos sociais pouco confiáveis, que se dizem em nome da paz e que paz?! Vozes de desafeto; vozes de políticos; vozes da modernidade e da pós-modernidade, construídas sobre alicerces e pilares de areia, que vão se corroendo sempre mais, a cada clamor lançado.

O que é ouvir e deixar-se ser ouvido?

Podemos nos aventurar a um conceito básico e válido para estas considerações. É estar atento e perceptível, em busca do verdadeiro sentido, ao bem estar e paz social para todos. A resposta viável e correta, porém, nos vem de cima, do alto, do Pai das luzes.

Como cristãos verdadeiros, como encaramos esses vozerios?

Num ligeiro perpassar de vistas pelas páginas sagradas, vamos naturalmente, encontrando respostas plausíveis para estas e tantas outras indagações. Elas nos contam do desatino lastimoso dos povos destes últimos tempos, em busca da frágil firmeza de seus próprios princípios, conforme descritos por I Tm 4:1-4.

No verso 4 do texto acima, nós nos deparamos com poderosa luz em meio a tanta escuridão. Diz o texto: “Toda criatura de Deus é boa e não há nada que rejeitar”. Somos dele mais do que criaturas. Somos filhos amados e, nesse sentimento, continuamos sempre ouvindo vozes e mais vozes.

Vozes das geleiras da Antártida; vozes de terremotos no Chile e no Haiti; vozes de bravias ondas do mar; vozes da natureza; vozes dos trovões; vozes de revoltas, de desatinos, de inveja, de ódio; da sociedade; dos lares e das famílias; vozes de revoluções e guerras entre as nações, vozes de bombas e de canhões que fazem silenciar milhares e milhares de preciosas vidas, sem paz e sem esperança; vozes da triste escuridão da noite.

Um pouco de pausa e reflexões de nossa parte e passaremos a compreender as causas ou consequências de tantas vozes que nos chegam e nos deixam perplexos.

Felizmente, passamos a ouvir vozes doces e alegres procedentes dos céus, que falam no profundo de nosso ser. Vozes que comovem e trazem consolo e paz. Vozes de lindo alvorecer. O choro ou o sorriso de uma criança; o abraço de uma mãe, da esposa, de um amigo; um gesto cativante; uma mão estendida; um comovente “A paz do Senhor”; a convivência saudável em família – sanguínea e cristã; – no lar; o olhar profundo ou gesto de uma pessoa tristemente doente no leito da dor, quando nos contempla ao visitá-la. Em tais instantes, somos tomados de profundo suspirar e lágrimas a correrem pelos nossos rostos.

Esses suspiros e lágrimas nada mais são do que mensagens de Deus, trabalhando agradavelmente nosso ser. Então nós nos lembramos de que somos cristãos “sem cera”, no entanto, pequenos demais, muito menores do que a pequenina formiga que, na sua trajetória diária, vai passando altaneira à nossa frente, entre cair e levantar-se conduzindo seu sustento para seu habitat. Quem a sustenta? É Deus.

Em instantes semelhantes, perplexos, sem fala e quase sem voz, nós começamos a pensar: Ah, se tivéssemos forças e objetivos de vida como esta formiguinha!! Observem como lá se vai ela, conduzindo algo muitas vezes bem maior do que seu próprio corpo!

De Bíblias abertas, talvez já de joelhos e sem delongas, nós passamos a folhear algumas páginas dos livros de Sl. 5:11-12; 29:3-11; 40:1; 55:1; 116:2; de Is. 59:1; 64:4, e por fim, de João 16:33, entre outros. Então ouvimos a salutar voz: “Aquietai-vos…” A partir daí não mais nos sentimos pessoas tão débeis, fragilizadas, sozinhas e desamparadas, porém, fortalecidas pelo poder supremo que nos vem dos céus.

Diante disto, uma cena não estranha entre nós, cristãos promessistas, poderá ser contemplada: caímos em terra, balbuciando: Meu Deus; Nosso Deus, nós somos teus filhos amados, ouvintes da tua doce voz. Glorificamos-te por isto!

Então, nós nos rendemos a Ele, prostrados e agradecidos.

Pr. Manoel Pereira Brito é pastor jubilado da IAP e congrega na IAP em Santana (São Paulo, SP).

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