Espiritualidade para um novo tempo

Podemos exercitar nossa fé e reavaliar nossas crises espirituais a partir da utilização consciente da razão

“Rogo-vos irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:1 e 2)

 

A espiritualidade humana é um dos fatos mais incontestáveis demonstrados na história. Antropólogos e arqueólogos, à medida que pesquisam e fazem incursões na cultura humanas (sendo elas de um passado distante ou não) se deparam, invariavelmente, com as marcas do sagrado, seja por meio de altares rituais, seja por signos de adoração. Todas essas coisas demonstram o desejo latente na alma do homem pelo que é espiritual e sagrado. No entanto, a grande questão não é com a comprovação da espiritualidade humana, mas sim, de que maneira ela pode ser exercida neste terceiro milênio, em plenitude, de forma integral, relacionando razão, emoção e sensibilidade?

Deus é um ser extremamente inteligente. Criou o homem dotado de capacidade racional, sendo capaz de refletir, analisar e memorizar. Essa faculdade (que somente o ser humano possui) não pode ser desprezada na manifestação da fé. Segundo o Salmo 77, uma pessoa pode exercitar a sua fé e reavaliar suas crises espirituais a partir da utilização consciente da razão. O salmista enfatiza suas perguntas e incompreensões, resultado de uma mente reflexiva das situações da vida: “Rejeita o Senhor para sempre? Acaso não tornará a ser propício? Cessou perpetuamente a sua graça? Caducou as suas promessas? Esqueceu-se Deus de ser benigno?”Salmo 77: 7-9.

Um fato que chama atenção neste texto é que uma mente perspicaz em indagar também é sensata para relembrar a sua história, revendo conceitos e fatos, superando obstáculos, mesmo que sejam espirituais. Ele ainda afirma: “Recordo os feitos do Senhor e me recordo das tuas maravilhas… tu és o Deus que opera maravilhas.” (Salmo 77: 11,14). Esse aspecto está em conformidade com que o apóstolo Paulo afirma em Romanos 12: 1: “Rogo-vos irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” Portanto, a nossa espiritualidade deve ser expressa por meio da razão.

Ao ser questionado por alguns religiosos dos seus dias sobre o que é realmente servir a Deus, o Senhor Jesus responde: “Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força.” (Marcos 12:30). Jesus, em momento algum, despreza, em detrimento do entendimento, da força e da alma, os sentimentos que se passam no interior humano. Simbolicamente, o coração é a sede das emoções e dos sentimentos. Nas Escrituras também há uma certa preocupação quanto à emoção ser expressa de uma maneira sadia. O próprio Senhor Jesus demonstrava seus sentimentos sem constrangimentos. Ao chegar em Betânia e ver Lázaro morto, o Mestre chora (João 11: 1-46). Assim como dotou o homem de razão, Deus criou o ser humano com emoções, que devem ser utilizadas no exercício de nossa espiritualidade.

Por fim, uma espiritualidade sadia leva o homem a uma percepção e sensibilidade maiores quanto à vida e às necessidades do próximo. Jesus em seu ministério relacionou-se de maneira extremamente sensível com as pessoas: ou evidenciando compaixão para com os enfermos, ou perdoando os pecados de gente injustiçada, ou identificando-se com os excluídos. Ele mesmo afirma: “Vinde a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei.”

Por meio de nossas vidas, que possamos exercer a nossa espiritualidade com a razão, com nossos sentimentos e com a nossa sensibilidade sempre para a glória de Deus!!!!

 

Pr. Fernando dos Santos Duarte é responsável pela IAP em Votuporanga (SP) e diretor financeiro da Convenção Noroeste Paulista.

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