Geração apaixoNADA por Jesus?

Vale a pena analisar o verdadeiro sentido da palavra paixão

Desculpem-me os apaixonados, mas “eu tô fora!!!!

Pode ser extremismo meu, mas não sou muito dada a modismo. Você quer saber de que estou falando?!!! Deixe-me ser mais clara. De vez em quando, deparamo-nos com “ondas” que vem e vão com o tempo (sabe, como uma onda no mar?!!).

Houve uma “geração jeans”, “geração coca-cola”, “geração shopping center”… e no meio evangélico, vemos a febre da “geração apaixonada por Jesus” (eu sou mesmo da geração metanoia!!!). Nenhum problema em exemplos de tipo de gerações, pois a Bíblia está recheada de exemplos (I Pe 2: 9; Sl 14: 5; Mt 12: 39; Mc 8: 38), mas essa aí tem chamado muito a minha atenção (não está na Bíblia, é lógico!!!).

Como pessoa curiosa e eterna estudiosa da língua materna (sou linguista), fui procurar no dicionário o verdadeiro sentido da palavra paixão, olha só o que encontrei:

  1. sentimento ou emoção levados a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se à lucidez e à razão;
  2. afeto dominador e cego; obsessão;
  3. disposição para alguma coisa que ultrapassa os limites da lógica; fanatismo; cegueira…

Quando li tudo isso me assustei. Tudo bem, como disse, posso estar levando muito ao “pé da letra” ou estar me vestindo de um estilo farisaico, mas vamos analisar juntos e me ajude se eu estiver errada.

Você poderia refutar se baseando nas palavras de Paulo “o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura…” (I Co 2: 14), mas não creio que o apóstolo esteja falando de coisas desse tipo; pelo que vimos, ‘paixão’ é algo doentio, cego, exagerado (tipo: “jogado aos seus pés!!!”).

Não sei, não. Realmente, este termo “apaixonado por Jesus” não me agrada, sabe?! Você também pode questionar o fato de eu aceitar a expressão “paixão de Cristo” (mas quem disse que eu aceito?). Para isso tem uma explicação: as pessoas criaram o termo porque acreditavam que Jesus fez uma “loucura”, morrendo por um bando de pecadores como nós (agora sim eu usaria o texto de Paulo!!!).

Para mim, Jesus nunca foi um apaixonado, muito menos um “louco”; Ele se sacrificou movido pelo amor que nutre por nós, não por uma paixão!!!

E pra engrossar minha crença e reforçar minha argumentação, coloco ainda o sentido da “paixão” na vida secular: uma pessoa apaixonada faz loucuras (literalmente!!!) que “ninguém merece”, e por conta da tal paixão, da forma como agimos por causa dela e dos efeitos que isso pode causar que… sei não, prefiro sempre dizer que amo Jesus e não que sou (ou estou, o que é pior!!!) apaixonada por ele.

Bem, agora que “coloquei essa pulga atrás da sua orelha”, me ajude e me tire dessa “enrascada”… somos ou não apaixonados por Jesus?!!! No final das contas, você pode até achar que essa geração toda é mesmo apaixoNADA, isso sim!!!

Esther Braga é Mestre em Linguística, especialista em Língua Falada e Ensino do Português, professora há 21 anos e aluna da Faculdade de Teologia Adventista da Promessa (FATAP) – Extensão Norte.

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