Guerra perdida

Assim como em Mariana (MG), a lama da velha natureza avança e se espalha

Uma nuvem confusa de destruição e selvageria brutal. Críticos e intérpretes políticos do mundo todo tentam explicar as causas e efeitos do grande terror espalhado no mundo pelo “Estado Islâmico”, em especial pelo atentado a Paris na noite da última sexta-feira (13), que matou 129 pessoas, durante quatro ataques terroristas simultâneos na capital francesa. O presidente da França, François Hollande, anunciou que o país está em guerra contra o grupo radical islâmico. Aliados à Rússia e aos EUA, os contra-ataques da França já somam mais de 20, somente via espaço aéreo.

“Quem vencerá? Uma guerra entre irmãos [humanos]: uma guerra perdida”. Juninho Afram, guitarrista do Oficina G3, revela de maneira objetiva o que resulta o interesse básico das guerras: a afirmação existencial egocêntrica. Uma guerra política ou civil vem sempre endossada pela oculta necessidade humana da afirmação orgulhosa e bestial de reconhecer-se como único deus de si mesmo. Atitude antiga e luciferiana. Por trás das motivações justificadas por ideologias e religiões que, aliás, tem ganho cada vez mais jovens e adeptos pelo mundo via rede e comunidades virtuais, está a sede suja de poder pelo poder; de destruição pela destruição.

Atualmente não há fato que ilustre melhor as tristes notícias de guerra e terror que se espalham rapidamente pelo mundo, do que o rompimento da barragem de resíduos de mineração da Empresa Samarco, no interior de Minas Gerais, na cidade de Mariana. Sim, a lama que explodiu e destruiu cidades e ainda está destruindo o rio Doce, vem avançando, avançando. Enquanto as pessoas se destroem baseando-se no Islamismo, Cristianismo ou Judaísmo, a lama da velha natureza avança e se espalha até que não tenhamos mais nenhuma referência do humano à Imago Dei sobre a terra. Quem vencerá? A poesia faz uma das perguntas mais retóricas que já conheci. A maioria das pessoas não entende o significado real de derrota ou vitória.

Quando Jesus Cristo deu o “salto em queda livre” mais fantástico da história, descendo ao mundo, vestindo vestes humanas, lavando nossos pés e tomando nosso cálice de morte na cruz, revolucionou completamente o sentido real de vitória! Afirmou-se como o maior, o melhor. Entretanto, foi o menor servo de todos, caminhou com humildade, trouxe paz e amor verdadeiro aos homens. Mesmo sabendo que o futuro é sombrio e que a guerra se multiplicará na Europa, no Oriente, Ásia, Ocidente e em toda terra; vale orarmos:

“Para que Jesus traga logo a completa multiplicação de sua paz, a impactante e definitiva manifestação de seu Reino pleno; mas ainda, para que Jesus comece aqui em meu coração, expulsando o desejo de guerra contra outras pessoas, o excesso de afirmação pessoal, o orgulho “bestializante”; nos ensinando a trilhar seu caminho de paz, amor e sofrida humildade!”

Ms. Marciel Diniz é responsável pela IAP em Japurá (PR)

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