Isto vos escandaliza?

A mensagem da cruz jamais será pregada sem escândalo

João Augusto da Silveira (In memorian)

Lutero respondeu a alguém que lhe observou que a sua pregação traria escândalo: “O evangelho não pode ser pregado sem escândalo”. Nada contentará a multidão. Pela história sabemos que, desde os mais primitivos dias da existência do homem sobre a terra, que o mundo se convulsiona; que os povos se comprimem e se debatem em busca de uma coisa melhor que os satisfaça sem, contudo, terem, até hoje, alcançado o que tanto desejam.

As mais variadas formas de governo têm sido postas à prova com o fim de por termo às divergências, mas, não obstante isso, as massas continuam divididas e insatisfeitas. No lado religioso a luta não é menos árdua e constante, a luta não esmorece, Cristo e Barrabás continuam sendo, na órbita religiosa, objeto de escolha.

Jesus disse a multidão dos judeus que o odiava: “Aquilo que ouvi junto de meu Pai, isto falo ao mundo” (Jo 8:26). Ele tinha uma mensagem que o Pai lhe comissionara, e não um fruto de sua imaginação, e muito menos a havia recebido de homem algum, pelo que sem timidez e sem rodeios, Ele a dava ao mundo, mesmo a despeito da incredulidade, de afrontas, calúnias e vitupérios. Isto não o impedia e nem o fazia silenciar.

Aos judeus que não entendiam a linguagem (Jo 8:43), Jesus perguntou-lhes: “Porventura isto escandaliza-vos?” (Jo 6:61). A mensagem da cruz jamais será pregada sem escândalo. Paulo, o continuador desta mensagem, diz: “Os judeus pedem um sinal e os gregos buscam sabedoria, mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos (1 Co 1:22-23). Eis aqui o que pode fazer oposição à verdade que emana de Deus. Nós pregamos, diz o apóstolo, isto é, seja ou não escândalo e loucura. Os judeus não aceitam o Novo Testamento, alguns chamados cristãos rejeitam o Velho, e nós pregamos a Cristo como objeto central de toda a Bíblia.

Pregamos ainda que ele batiza hoje com o Espírito Santo como fez na igreja apostólica. O que nos importa se os judeus dizem que falamos línguas de lique-lique ou que estamos cheios de mosto; e os gregos digam que somos incompreensíveis? O que muito nos interessa e sobremodo nos alegra é vermos dia a dia, o número de almas se rendendo a Cristo e este derramar, em seus corações, o Espírito Santo da promessa.

*(Texto extraído de “O Restaurador”, nº 56,  Junho de 1945, p. 3).