Jesus, um noivo atípico

Enquanto o príncipe William recebeu títulos ao se casar com Kate,
Jesus abriu mão dos seus para buscar sua noiva

Na última sexta-feira, 29 de abril, o mundo parou para assistir a união do príncipe William com a plebeia Kate Middleton. “Foi um dos eventos mais vistos da história. Na Grã-Bretanha, foram mais de 24 milhões de súditos grudados em telões e na televisão. No mundo todo, 2,4 bilhões de espectadores. Mais de um terço do planeta” presenciou, segundo o Fantástico, da Rede Globo, mesmo que à distancia, o que será considerado, sem sombra de dúvidas, o casamento do ano.

Quem assistiu se impressionou com tanto luxo e beleza. O príncipe William, que horas antes recebeu o título de duque de Cambridge, chegou à igreja em uma luxuosa limusine, vestindo um uniforme vermelho da guarda irlandesa, da qual é coronel honorário”. “O título de duque é o mais alto da hierarquia da nobreza britânica, somente abaixo de reis e príncipes”, segundo o G1.com. Desfrutando de uma popularidade avassaladora e de uma aprovação quase incondicional, o casamento do príncipe foi um sucesso! Nenhum noivo poderia esperar algo melhor.

E por falar em noivo peguei-me pensando no fato de que a Bíblia, por diversas vezes, se utiliza desta imagem para se referir a Jesus. No Antigo Testamento, Deus já se utilizava desta metáfora para exemplificar seu amor incondicional por Israel. E é justamente essa metáfora, já presente no Antigo Testamento, que lança luz à designação neotestamentária de Jesus como o noivo e da igreja como sua noiva (II Cor 11.2; Ef 5. 25-27, 31; Ap 19.; 21.1; 22.17). “Segundo esse quadro, o Senhor Jesus é o noivo divino que busca sua noiva em amor e entra em relação de aliança com ela” (Douglas, J. D. – O Novo dicionário da Bíblia). Em Mateus 25.1-13, por exemplo, Jesus, quando ensinava a respeito de seu inesperado retorno, contou a parábola das dez virgens na qual se comparou com um noivo que, repentinamente, aparece para buscar sua noiva.

Entretanto, o que nos chama atenção não é familiaridade que existe no fato de Jesus ser descrito na Bíblia como um noivo, mas, sobretudo, pela incrível diferença existente entre os dois noivos: Jesus e o príncipe William. Enquanto William foi aclamado pelo povo, Jesus foi crucificado por sua nação. Enquanto o príncipe desfrutou de aceitação, Jesus sofreu duras recriminações. Enquanto William foi assistido por mais de dois bilhões de pessoas, Jesus foi visto, basicamente, por palestinos e uns poucos estrangeiros. Um dos maiores eventos do mundo, o nascimento de Jesus, que marca a descida do noivo em busca da igreja, teve mais animais do que pessoas como espectadores.

Enquanto William recebeu títulos ao se casar com Kate, Jesus abriu mão dos seus para buscar sua noiva: a igreja. Enquanto o príncipe desfrutou dos benefícios de sua realeza, Jesus preferiu abandoná-los. Ele desceu de seu trono real baixando à rude cruz. Enquanto William foi rodeado por celebridades, realezas e socialites, Jesus viveu entre os pobres da Galileia rodeado por pecadores, prostitutas, mendigos e publicanos. Gente marginalizada e recriminada pela sociedade da época.  Enquanto William andou de limusine, Jesus andou a pé, no máximo, de jumentinho. De fato, Jesus é um noivo atípico!

Por amar sua noiva, a igreja, ele desce dos céus, abandona seus títulos e honrarias, se humilha até a morte e morre humilhantemente para salvá-la. Jesus, nas palavras de Paulo, “embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo que deveria apegar-se, mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte e morte de cruz” (Fl 2.6-8 – NVI). Refletindo nisso, George Herbert fez a seguinte paráfrase:

O Deus de poder, enquanto percorria
Em suas majestosas roupagens de glória,
Resolveu parar; e assim um dia
Ele desceu, e pelo caminho se despia.
(Philip Yancey, O Jesus que eu Nunca Conheci)

Pois é justamente assim, despido de sua glória e realeza, que ele veio buscar sua amada noiva: não em um altar, mas em um madeiro; não em uma igreja, mas em uma cruz. E é por este ato supremo de amor que podemos ter certeza de que, um dia, participaremos de um casamento infinamente superior ao casamento de William e Kate: o casamento cósmico de Cristo e sua Igreja. Até lá, permanecemos aqui aguardando esperançosamente este grande e glorioso dia. E enquanto esperamos,  “O Espírito e a noiva dizem: Vem!” (Ap 22.17).
Kassio F. P. Lopes é  missionário da IAP em Corumbá (MS).

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