Lembrando de quem cuida

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Acesse o sermão para o Dia do Pastor – 22 de julho

RAZÕES PARA CONFIARMOS NO PASTOR DO SALMO 23

Introdução: A paz do Senhor para você. Neste culto em que comemoramos o dia do pastor, queremos meditar no “Pastor dos pastores”. Jesus é aquele que cuida de suas ovelhas e que pastoreia os pastores. Meditaremos, hoje, sobre o salmo 23. Irei ler o texto na revista e atualizada:

O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso; refrigera-me a alma. Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome. Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam. Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda. Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do SENHOR para todo o sempre.

Esse Salmo lembra a história contada em um livro cristão[1], em que um poeta é convidado a recitar o Salmo 23. Usando as técnicas de voz e respiração, dando beleza à declamação, ele arranca aplausos calorosos e duradouros de seu público. Sentado na fila da frente, estava um senhor que já tinha longos anos de vida: cabelos brancos, rugas, enfim, as marcas que o tempo deixa. Ele pede ao organizador do evento para recitar o Salmo 23. E é persistente. De tanto insistir, ganha o direito de falar. Ele começa a dizer o Salmo bíblico, e o faz pausadamente, e um silêncio toma conta do auditório. Ao término de sua declamação, o que se ouve não são aplausos, mas soluços. E corações são tocados pelo que fora dito através do velhinho.

O poeta jovem se pergunta o que teria o ancião que ele mesmo não tem. Lembrando-se das técnicas aprendidas, das melhores escolas estudadas, ele se dirige ao senhor e lhe pergunta qual a diferença entre eles? Por que ele mexeu com as mãos das pessoas e não com o coração? Então, o sábio homem respondeu: “A diferença é que você conhece o ‘Salmo do Pastor’ e eu conheço o ‘Pastor do Salmo’”. Em toda a nossa caminhada cristã, já ouvimos várias mensagens sobre o salmo 23. Muitos conhecem o Salmo do Pastor muito bem, mas quantos conhecem o pastor do Salmo? Deus quer nos ensinar algumas verdades de sua palavra, a você, pastor, e a você, ovelha. Vamos a elas então.

1. O PASTOR DO SALMO 23 É ÚNICO EM SUA PROVISÃO!

O verso 1 do salmo 23, na Bíblia Viva, nos diz: O Senhor é o meu pastor, e Ele me dá tudo o que eu preciso. Ao descrever o Senhor como pastor, Davi sabia o que ele estava dizendo, porque escreveu de sua experiência. Ele passou muitos anos da sua juventude pastoreando ovelhas. Os pastores eram homens que mudavam de um lugar para o outro, atrás de pastagens e abrigos seguros para as suas ovelhas. O pastor dirigia-se pela manhã ao aprisco onde havia vários rebanhos. As ovelhas ouviam a sua voz e o seguiam. O pastor passava o dia inteiro com elas; às vezes, até a noite. As ovelhas eram totalmente dependentes do pastor para a provisão! Temos alguns, aqui, detalhes da provisão de Deus.

Um primeiro detalhe é: Ele provê alimento para as ovelhas: Ele me faz repousar em pastos verdejantes (v.2a). As ovelhas nunca deitavam de barriga vazia, pois o pastor as alimentava com o melhor. Em João 10:9 (NTLH), Jesus diz: Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo; poderá entrar e sair e achará comida. Sendo ovelhas do Senhor, aprendamos a depender dele para tudo. Ele é único em sua provisão. É ele quem cuida das nossas vidas, todos os dias, todas as semanas, todos os meses, todos os anos, sempre. Não ganhamos nossas coisas somente por esforço, mas pela força que vem Deus!

Outro detalhe, Ele provê novas forças para as ovelhas (v. 3a): refrigera-me a alma. Diz um estudioso da Bíblia, sobre a palavra “refrigera”, que a imagem é de uma ovelha com muita lã. Ela ficava pesada e com dificuldades de andar. Poderia cair em um buraco e não ter forças para sair de lá. Ficaria com as patinhas para cima se debatendo. Então, com todo carinho, o pastor deveria tirá-la de lá. Outra solução para uma ovelha com muita lã era tosquiá-la, aparar a sua lã[2]. Assim, o Senhor nos tira das situações mais complexas, dos problemas de igrejas mais terríveis e alivia nossa jornada cristã. Ele traz refrigério para você, pastor!

Um último detalhe a observar é: Ele provê descanso e orientação para as ovelhas: Leva-me para junto das águas de descanso (v.2b). Uma ovelha não consegue tomar água em rios agitados. Para ela beber, o lugar tem de ser tranquilo. E por que precisa de um guia, até quando tomam água? É simples: se não houver um pastor que a oriente, a ovelha tende a perambular perto dos rios, o que é muito perigoso, visto que sua lã se molha, pesa, e ela pode se afogar. O remédio para uma vida de stress é recorrer ao nosso supremo pastor. Ele nos leva a lugares tranquilos! Essa segunda parte do versículo também nos revela uma grande verdade, DEUS não quer que tenhamos uma vida de medo.

O verso 3 ainda diz: … por amor de seu nome. Recorrendo a outras traduções para entendermos essa expressão, nós encontramos: “Ele nos faz andar em caminhos retos como Ele mesmo prometeu” (NTLH). “Por amor de seu nome” significa que DEUS é fiel! Ele cumpre o que promete! Não sei se Deus prometeu alguma coisa para você, e ainda não cumpriu, mas de uma coisa tenho certeza: Ele é fiel! Se não cumpriu, vai cumprir! Apenas aguarde. Deus é fiel. Ele é único em sua provisão! Agora, vamos saber a segunda verdade:

II – O PASTOR DO SALMO 23 É EXCEPCIONAL EM SUA PROTEÇÃO!

Entre muitas coisas que aprendemos com o Salmo 23, entendemos que Deus nos protege dos perigos diários: Preste atenção nas palavras “ainda” e “andasse”, no início do versículo 4. Deus não está dizendo que nós iremos andar pelo vale da sombra da morte, mas que, se porventura, nós andarmos, ele estará conosco. É difícil entendermos a segunda parte desse versículo. Como uma vara pode consolar? Principalmente as crianças, quando pensam em uma vara, já se lembram de seu pai e sua mãe com uma vara na mão, querendo corrigi-las.

Mas quando analisamos a história do Salmo 23, descobrimos que o Vale da Sombra da Morte existe em Israel. Fica na estrada entre Jericó e Jerusalém. É um desfiladeiro íngreme, profundo e estreito. A luz solar só atinge a sua base quando se encontra diretamente acima do vale, ao meio-dia. No restante do dia, o fundo desse vale permanece na sombra, no escuro. Escondiam-se ali feras de todo tipo, que eram uma ameaça para o rebanho. Davi, provavelmente, passou com seu rebanho por esse vale da sombra da morte, durante a juventude.

Vara e cajado eram as duas ferramentas básicas que um pastor usava para proteger e guiar as ovelhas. A vara tinha perto de um metro de comprimento, com uma saliência acentuada em uma das extremidades. Pastores, em geral, tinham grande habilidade para arremessar a vara com precisão, a fim de afastar qualquer ameaça. A vara de Deus nos dará proteção.

Por outro lado, o cajado era um bastão, arredondado, longo, com um tipo de argola semiaberta na extremidade. O pastor usa o cajado para guiar e confortar. Ele usa o cajado para trazer a ovelha para perto de si, para levantar uma ovelha que cai. Quando passarmos pelo vale, não estaremos sozinhos. Deus vai estar ao nosso lado. Ele vai usar a vara e o cajado para nos proteger! Ele é excepcional em sua proteção!

Nesse verso, o Senhor nos promete defesa e ajuda. Quando nos sentirmos fracos na presença dos inimigos, podemos clamar a ele. Outro tesouro precioso desse verso é: Deus é especialista em tirar pessoas do buraco! Quando estamos caídos, afundados em problemas, é aí que o Senhor entra e usa o seu cajado para nos trazer para perto de si, para nos reerguer.

Em Isaías 9:2, o profeta profetiza de um vale de sombra e de morte e também de uma maravilhosa luz. Em Mateus 4:16, a profecia se cumpre, e a um povo que vivia em sombra e morte, de repente, apareceu uma maravilhosa luz! Jesus entra na história. Todas as vezes em que aparece um vale de sombra e morte, aparece também um Jesus glorioso! Não sei se você está vivendo dias de escuridão, mas creia e clame ao pastor do Salmo. Ele invadirá a sua vida com sua poderosa luz! Vamos então à última verdade encontrada no Salmo 23.

III – O PASTOR DO SALMO 23 É SEM IGUAL EM SEU AMOR!

Observe, no verso 5, a expressão: … unges a minha cabeça com óleo. Uma explicação dentro da metáfora pastor-ovelha seria: Os pastores derramavam óleo sobre a cabeça das ovelhas por duas razões: para aliviar e para curar. As ovelhas têm verdadeiro pavor de mosquitos. No verão, eles penetram nas suas narinas e botam ovos. As pequenas larvas incomodam tremendamente, e não há nada que as ovelhas possam fazer para se livrarem delas. O pastor, então, misturava óleo com sulfa e ungia a cabeça da ovelha, o que agia como repelente. O óleo também era usado para tratar as feridas abertas. Além de formar uma camada protetora sobre o ferimento, tinha um efeito suavizante. Em outras palavras, o Pastor nos protege daquelas coisas que nos irritam, que nos tiram do sério e alivia o nosso sofrimento. Essa explicação é bastante provável[3].

Todavia, como aparece uma mesa e um banquete, acreditamos que, neste versículo, Davi muda a metáfora para a do anfitrião com seu hóspede. A maioria dos comentaristas concorda com a ideia de que a expressão “unges a minha cabeça com óleo” aponta para o costume, na antiga cultura oriental, de se ungir os convidados para um banquete. Isso representava para eles um gesto de cortesia, amabilidade. O anfitrião estava dizendo para a sua visita: “Você é especial, é um convidado de honra e eu te amo”. Deus ama você! Você é especial pra ele (V.5b).

O verso 5 ainda nos diz: … meu cálice transborda. Segundo o dito popular de hoje em dia, o que devemos fazer, quando chega uma visita a nossa casa e queremos que ela vá embora logo? Vassoura atrás da porta. Na cultura dos judeus, há algo mais ou menos parecido. Há um costume, no Oriente Médio, em relação a visitas. A primeira coisa que é oferecida é um copo com água ou vinho. Enquanto o anfitrião mantém o copo de seu visitante abastecido, dá a entender a este que a sua permanência é agradável. Mas, no momento em que ele deixa o copo esvaziar, dá a entender que o tempo acabou. É hora de terminar a visita. Um copo transbordante era símbolo de que o visitante poderia ficar o quanto quisesse. Significava que aquela pessoa era especial.

Na Nova Tradução na Linguagem de Hoje, o versículo está assim descrito: … enches o meu copo até derramar. DEUS quer que você esteja na presença dele a todo o momento! Em nenhum instante, ele deixa faltar vinho no seu cálice! Não quer estar com você apenas hoje, mas em todos os momentos da sua vida! Ele é sem igual em seu amor!

O pastor tomava conta de várias ovelhas; o rebanho geralmente era grande. Não tinha como o pastor dar nome a todas elas; seria impossível gravar o nome de cada uma. Somente as ovelhas que andavam mais próximas do pastor é que tinham nomes, e elas recebiam um cuidado especial! Nós, como servos e ovelhas do pasto do Senhor Jesus, temos de ter relacionamento com ele, vida de proximidade com o supremo pastor.

No verso 6a, lemos: Certamente que a bondade e o amor me seguirão todos os dias da minha vida. A palavra hebraica traduzida por “seguirão” poderia ser mais bem traduzida por perseguirão. O nosso pastor, o verdadeiro pastor, nos ama de verdade. Seu amor nos persegue. Deus vai atrás de nós, até que, finalmente, nós possamos vê-lo como nosso Pai. Mesmo que isso leve todos os dias da nossa vida.

CONCLUSÃO:   Partindo para o fim, gostaria de contar a história de um capelão do exército francês que usava o Salmo 23 para encorajar os seus soldados, antes da batalha. Ele insistia com seus soldados para repetirem a primeira frase do Salmo 23, marcando cada palavra num dedo. O dedo mínimo representava a palavra O; o anular, a palavra Senhor; o médio, a palavra é; o indicador, a palavra meu, e o polegar, a palavra pastor. Quando eles precisavam de força, o capelão os instruía a identificar o Salmo na palma da mão.

O capelão recordava aos soldados que Deus é um pastor pessoal com uma missão pessoal: levá-los ao lar em segurança. De fato, os soldados levaram a sério aquela dica do capelão, porque um deles, após uma batalha, foi achado morto; sua mão direita estava agarrada ao indicador da esquerda. O que significava: O Senhor é o meu pastor.[4]

Talvez seja duro para nós entendermos o agir e o mover de Deus nas nossas vidas. Há momentos em que nós pensamos que Deus parou de conduzir a nossa vida. Não conheço o seu coração; não sei o que você está buscando de Deus, nem como está a sua vida, mas saiba de uma coisa: o Senhor está guiando você. Ele sabe do que você precisa! Sabe de todos os seus anseios e angústias; conhece cada detalhe da sua vida, e hoje o convida a viver na presença dele.

Quanta coisa boa o Senhor deseja e quer para nós. Escolha esse guia, no nome de Jesus. Aprenda a confiar no pastor do Salmo 23. Ele é único em sua provisão, excepcional em sua proteção e sem igual em seu amor. Vamos encerrar esse momento dizendo a frase do último versículo do salmo: Sim, eu viverei na presença do SENHOR para sempre! Salmo 23:6b (BV).

 

BIBLIOGRAFIA

AGUIAR, Marcelo. Lições de fé. Belo Horizonte: Betânia, 2008.

KELLER, W. Phillip. A Shepherd Looks at Psalm 23. 4 ed. Michigan: Zondervan, 2007.

LUCADO, Max. Aliviando a bagagem. 12 ed. Tradução: Marta Doreto de Andrade. São Paulo: Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

MACMILLAN, J. Douglas. O Senhor nosso Pastor. Tradução: Sharon Barkley. São Paulo: PES, 2003.

 

[1] Aguiar (2008:57).

[2] Keller (2007:54)

[3] MacMillan (2003:110).

[4] Lucado (2006:95)

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