Liderança pastoral: Centralizada versus participativa

Liderança pastoral: Centralizada versus participativa

No início da Bíblia, encontra-se o que pode ser considerado um dos maiores legados de modelo de liderança. Chamado por Deus para uma difícil missão, o homem usado para libertar o povo hebreu da longa escravidão egípcia e estabelecê-lo na terra prometida quase desfaleceu junto com o próprio Israel, não fosse o alerta do seu sogro na direção de uma nova estratégia no comando espiritual daquela nação.

Moisés era comprometido com a responsabilidade assumida diante do Senhor; não dá para pensar diferente. Isso é essencial, mas pode não ser tudo; importa, e muito, saber que resultados alcançarão os que vivem sob determinada liderança. “Totalmente desfalecerás, assim tu, como este povo que está contigo: porque este negócio é mui difícil para ti; tu só não o podes fazer”, disse-lhe Jetro (Êx. 18:18).

Por mais obvio que seja, embora nem sempre pareça, é praticamente impossível a uma pessoa estar no centro das atenções de um grupo e ser a solução para todas as suas necessidades; principalmente, se ela for o elemento pensante e o agente executor.

O líder centralizador se cansa e cansa; às vezes, ele até percebe os seus limites, mas não é capaz do altruísmo, da iniciativa na divisão de tarefas; e de reconhecer a liberdade legal que os membros do corpo, nas suas múltiplas funções, têm para atuar em prol da coletividade. Todos perdem, inclusive ele.

Liderar é saber administrar competências. O líder participativo, por sua vez, divide a carga de trabalho; ele vê, nos membros do corpo, a manifestação de dons, satisfazendo-se com a oportunidade de reconhecer e ser o regente de uma riqueza de talentos, que, organizados e motivados, são aperfeiçoados na obra do ministério, “… para edificação do corpo de Cristo” (Ef. 4:12b).

Liderança pastoral

O chamado de um pastor pressupõe um trabalho de liderança. Paralelamente às atividades essencialmente pastorais, como visitação, aconselhamento e ministração de ritos e sacramentos, estando à frente de uma igreja, ele terá outra demanda para atender, podendo citar-se reuniões departamentais, elaboração de planos de trabalho, formação de equipes de evangelismo etc. E o estilo de liderança que adotar terá forte influência sobre o comportamento dos membros, podendo determinar, em grande parte, os resultados.

Uma área de vital importância no sucesso pastoral é a sua capacidade de ouvir. Mas ouvir não é só escutar. Com a orientação recebida, Moisés escolheu homens capazes e os pôs por cabeças sobre o povo, e todo o negócio pequeno eles julgaram. Muitas vezes, o pastor, não sabendo ouvir e nem delegar, desgasta-se com tarefas que não lhe competem, enquanto a afirmação bíblica para os que dividem o trabalho é: “… assim a ti mesmo te aliviarás da carga, e eles a levarão contigo” (Êx. 18:22b).

O pastor que tem a visão de equipe logo avalia que a melhor maneira da igreja alcançar os seus objetivos é o esforço conjunto. O comando é dele, a quem compete indicar o caminho e corrigir o rumo. Porém, não deve inibir a colaboração, limitar a cooperação e impedir a criatividade.

É muito importante quando o pastor vê a liderança compartilhada como uma premissa básica, uma marca da sua administração.

Pr. Elias Pitombeira de Toledo
São José dos Campos – SP

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