Não é (das seleções) dos fortes a vitória…

Assim como os títulos anteriores não garantem o resultado do jogo, em nossa caminhada, precisamos vencer o pecado a cada dia

Antes da Copa começar, várias seleções e jogadores eram cotados como possíveis destaques desde os primeiros jogos. Em se tratando das estreias das seleções, quem não se impressionou e até se assustou com a “lavada” dada pela Holanda sobre a Espanha (eliminada pelo Chile por 2 a 0).

São os inesquecíveis 5 a 1, para a seleção que voltou a ser chamada de “laranja mecânica”, brilhantes nem tanto já no seu segundo jogo, onde venceu a Austrália por 2 a 1.

E quem não esperava que, no jogo de estreia, o Uruguai desse uma goleada ou pelos menos vencesse confortavelmente a seleção da Costa Rica. Porém, o que vimos foi o contrário: 3 a 1 para a Costa Rica. O Uruguai depois venceu a Inglaterra por 2 a 1 em um jogo emocionante.

E quem não aguardou com expectativas a estreia de Portugal, por causa dele, “o grande” Cristiano Ronaldo, atualmente o melhor jogador de futebol do mundo. Quem assistiu ao jogo viu que Cristiano teve uma atuação tímida, mas não imaginava que o placar final seria de 4 a 0 para Alemanha, e que o destaque seria o atacante alemão Müller.

O segundo jogo da seleção brasileira foi frustrante para a maioria dos torcedores, mesmo que não se esperasse um jogo fácil contra o México, se esperava pelo menos um jogo com gols. Mas que nada, o placar em Fortaleza, foi de 0 a 0 e o destaque da partida foi Ochoa, o goleiro do México.

Percebemos que não adianta ter o título de favorito e chegar com a pose de “já ganhei”. Não adianta jogar com títulos anteriores na cabeça, as lembranças de um passado glorioso não definem o jogo quando ele acontece. Não adianta o diagnóstico de tantas vitórias e títulos de outros dias.

O que conta mais é como se joga hoje. O que conta e o que dá a vitória para um time é o companheirismo, onde cada um atua para a vitória do grupo. Em outras palavras é preciso jogar como se o primeiro jogo fosse hoje e fosse uma final.

Recordo das palavras de Nosso Senhor que sabiamente nos informou: Por isso, não fiquem preocupados com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã trará as suas próprias preocupações. Para cada dia bastam as suas próprias dificuldades (Mateus 6.34 NTLH). Vale ressaltar, que o contexto deste texto bíblico está em nos preocuparmos com as necessidades básicas da vida (leia Mateus 6.19-33), ao ponto de nos desesperarmos, tentando especular o futuro.

Como diz o escritor Max Lucado: “preocupação não enche barriga”. O Pai que vê todas as nossas ações é o mesmo que cuida das nossas necessidades. Sabendo que, nas nossas batalhas diárias, o que contará é obedecer ao mandamento que ele nos disse: Portanto, ponham em primeiro lugar na sua vida o Reino de Deus e aquilo que Deus quer, e ele lhes dará todas essas coisas (v.33).

Pensando agora em entraves de ordem espiritual, devemos nos concentrar nos desafios de hoje, nas dificuldades de hoje para vencê-las também. O pecado vencido ontem com a graça de Deus serve de inspiração para hoje, mas não garante a vitória de amanhã.

Nossa luta contra a nossa natureza pecaminosa, contra o mundo caído e o diabo, ambos derrotados por Cristo na Cruz, é vencido na mortificação (Romanos 8.13), e no carregar a cruz diariamente (Mateus 16.23-24). Embora o passado e futuro tenham o seu “peso”, é seguindo os passos do Técnico da humanidade hoje que vamos continuar no caminho da graça, tudo isso porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade (Filipenses 2.13).

Andrei C. S. Soares é colaborador do Departamento de Educação Cristã da IAP e congrega em Vila Medeiros (São Paulo, SP).

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