Não vale a pena amar o mundo

Se dizemos que amamos a Deus, não há como amar as coisas do mundo ao mesmo tempo

Quando estamos apaixonados, nossa rotina muda. O sol parece brilhar mais. A chuva parece uma deliciosa canção que rega a terra. Não existem distâncias que nos possam desestimular diante da pessoa que amamos. Fazemos de tudo para estar perto. Quando estamos longe, tentamos manter contato. Quando não somos correspondidos, lutamos para chamar a atenção.
Porém, existem certamente “amores” que não compensam. É de um deles que queremos tratar. O apostolo João, no capítulo 2 de sua 1ª carta, faz uma série de observações em relação a vários aspectos da vida cristã. Ele começa falando sobre não pecar e sobre perdão de pecados (vv.1-2); ele fala sobre a obediência aos Mandamentos de Deus (vv.3-11); além de falar sobre a vitória do que tem fé em Jesus sobre Satanás (vv.12-14) e o mundo (vv.15-17). É sobre este último que queremos refletir. João nos fala que não vale a pena amar o mundo!

Não vale a pena amar o mundo, pois isto é oposição a Deus!
João basicamente diz que é pela fé no Senhor que nós vencemos o mundo. Este mundo, não é o mundo físico (Sl 24.1), e nem o mundo (pessoas) de João 3.16, mundo aqui, é a oposição a Deus, seu Reino e sua Igreja. É todo sistema dominado por Satanás, o príncipe deste mundo (Jo 16.11; 1Jo 5.19), que influencia pessoas, instituições, governos, religiões, artes, cultura, música e mídias (sem generalizações, é claro).
João mostra que os seguidores de Jesus não devem amar este mundo. 1Jo 2.15a diz: “Não ameis o mundo, nem o que há no mundo”. A vida mundana, ou seja, a vida guiada por valores e ideias deste sistema maligno, não compensa. Não deve ser amada pelos seguidores de Jesus. Isso porque o amor ao mundo está em oposição ao amor de Deus: “Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele”. (v.15b)
Portanto, se queremos e se dizemos que amamos a Deus, não há como amar as coisas do mundo ao mesmo tempo. E como identificamos as “coisas” do mundo? Quando pecamos habitualmente (pecado como vício); quando não guardamos a Lei de Deus (Êx 20); quando não ajudamos o nosso irmão necessitado. Quando não amamos a Deus e ao próximo, estamos amando o mundo! Portanto, busquemos a Deus, para que nosso amor não esteja preso a este mundo.

Não vale a pena amar o mundo, pois suas práticas não vem de Deus!
João mostra na prática quais valores são contra Deus e por isso não vale a pena adotá-los: “o desejo da carne, o desejo dos olhos e o orgulho dos bens…” (1Jo 2.16b). O“desejo da carne”representa todas as nossas tendências que são contrárias à palavra de Deus e incentivadas pelo mundo a serem praticadas.
Paulo fez uma lista de algumas em Gl 5:19-21 (NTLH): “As coisas que a natureza humana produz são bem-conhecidas. Elas são: a imoralidade sexual, a impureza, as ações indecentes, a adoração de ídolos, as feitiçarias, as inimizades, as brigas, as ciumeiras, os acessos de raiva, a ambição egoísta, a desunião, as divisões, as invejas, as bebedeiras, as farras e outras coisas parecidas com essas. Repito o que já disse: os que fazem essas coisas não receberão o Reino de Deus.
O “desejo dos olhos” representa tudo que cobiçamos com nosso olhar. São propriamente: “(…) tentações que nos assaltam, não de dentro, mas de fora, através dos olhos.”¹ O salmista já lutava contra este sistema quando disse: “Não porei coisas más diante dos meus olhos.” (Sl 101.3a). Tentação que venceu Eva, pois: “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos…”. Adão também caiu por consequência (Gn 3.6).
Por último, João nos fala do “orgulho dos bens”, ou “soberba ou ostentação da vida”. Isto é, dar valor somente ao que é passageiro. É amar mais as coisas do que as pessoas. É se importar mais com o que se tem, do que com o que se é: “(…) é uma arrogância ou vanglória relacionada (…) a riqueza ou a posição ou o vestuário (…)”². O apóstolo João então conclui que estas coisas “…não vem do Pai, mas sim do mundo.” (1Jo 2.16c).Você tem se deixado levar por quais coisas: os desejos da sua carne? Os desejos dos seus olhos? Ou a ostentação de uma vida de aparência?

No v.17, João concluiu o trecho dizendo o seguinte: “Ora, o mundo passa, bem como os seus desejos; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.” Tanto o mundo como os seus desejos passam. Todas as experiências contrárias a Deus, que satisfazem nossa carne, olhos e aparência são de mentira. Produzem prazeres momentâneos, mas não nos salvam do juízo final.
Somente em Deus está o caminho para a eternidade. Somente acreditando no Jesus que veio ao mundo e é Deus, podemos ser perdoados do pecado e poderemos viver em obediência ao Pai; só pelo poder do Espírito (Gl 5.22-23) é que conseguimos dizer não aos desejos da carne; aquilo que de mal existe aos olhos e à aparência da vida. Não vale a pena o mundo, porque este sistema está caído e não pode nos libertar. Nossa vida só pode ser liberta e durar eternamente se acolhermos e vivermos a vontade de Deus, por meio de Jesus e de seu Espírito.

Andrei Sampaio Soares presta auxílio pastoral à IAP de Pedreira (zona sul de São Paulo) e colabora com o Departamento de Educação Cristã (DEC).


¹John Stott. I, II e II João (p.86).
²Ibidem, p.87.
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