O caminho perigoso do assédio

Confesse, arrependa-se e tome atitudes, antes que esta armadilha o aprisione

A prática do assédio, infelizmente, vem se tornando mais comum do que muitos de nós possamos imaginar. Segundo levantamento feito pelo site Trabalhando.com, 32% das mulheres entrevistadas já foram vítimas de algum tipo de assédio sexual. A prática pecaminosa cresce no ambiente de trabalho, no trajeto entre a casa e o trabalho, na internet e, lamentavelmente, até na igreja.

A palavra no grego siege traduzida como “assédio” é um termo militar que literalmente significa rodear como num cerco. É o que pode acontecer na vida  sexual de um homem ou de uma mulher. Os pensamentos e os desejos podem se tornar tão habituais que parecem rodear como um exército que faz o cerco a uma cidade. Essa pressão perigosa pode ser vencida se estivermos alertas para não sermos subjugados por esse “cerco”.

Na Bíblia, a reprovação para o assédio é muito clara, manifesta nas palavras de Jesus em Mateus 5: 27 e 28: Vocês ouviram o que foi dito: Não adulterarás. Mas eu lhes digo: qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração” (NVI).

Analisando o texto de Mateus, percebemos dois alertas. Ele adverte contra o pecado do adultério, mas também destaca como o processo pode se iniciar de maneira sutil, secreta, por um simples olhar seguido de pensamentos impuros.

Sempre ouvimos falar nesse texto aplicado aos homens, mas devemos entender sua abrangência. Tanto o homem quanto a mulher têm desejos sexuais que devem ser saciados, por isso ambos estão sujeitos a viver o dilema do desejo proibido. Parafraseando o texto e aplicando-o ao universo feminino, podemos registrar: “Vocês ouviram o que foi dito: Não adulterarás. Mas eu lhes digo: qualquer mulher que olhar para um homem para deseja-lo, já cometeu adultério com ele no seu coração”.

Falsa segurança

Shannon Ethridge, em seu livro “A Batalha de Toda Mulher” propõe um teste para que as mulheres casadas possam avaliar se estão andando em “terreno perigoso”, sentindo-se atraídas por outro homem que não seja o marido:

  • “Você pensa nesse homem com frequência (várias vezes por dia), mesmo quando ele não está presente?
  • Você escolhe sua roupa pensando se vai ou não vê-lo?
  • Você se esforça para encontrá-lo, esperando que a perceba?
  • Procura desculpas para telefonar-lhe, a fim de ouvir a sua voz?
  • Encontra razões para escrever e-mails a ele, esperando ansiosamente pela resposta?
  • Fica imaginando se ele sente alguma atração por você?
  • Você deseja falar ou passar tempo com essa pessoa, longe dos ouvidos ou dos olhos dos outros?”

É importante entendermos que homens e mulheres devem tomar cuidados diferentes para se manterem íntegros na área sexual. Para o homem, com a sexualidade mais ligada às características físicas, o cuidado deve ser com o olhar. Já as mulheres, com a sexualidade mais ligada às emoções, o cuidado deve ser com os pensamentos e sentimentos.

Dessa forma as mulheres se tornam mais suscetíveis a uma relação extraconjugal quando não têm suas necessidades emocionais satisfeitas pelo marido. A falta de romance, afinidade, cumplicidade, carinho, atenção e comunicação são motivos alegados por mulheres que acabam caindo nas tramas do assédio, embora nenhum deles o justifique. Além, é claro, da frustração sexual, pois há maridos que se preocupam apenas em se relacionar fisicamente com a esposa, sem se preocuparem com que ela alcance o prazer.

Portanto, redobre seu cuidado se você ouvir de um homem frases como estas, pois elas podem atingir em cheio suas emoções: “estava esperando ver você hoje”; “você está linda hoje, seu marido notou?”, “minha mulher e meus filhos estão viajando, estou sozinho em casa”; “será que seu marido valoriza a pessoa maravilhosa que você é?”.

Armadilhas virtuais

Um meio tão importante para nossos relacionamentos nos dias atuais, a internet pode também conter armadilhas, caso nos descuidemos ao lidar com essa ferramenta. De acordo com o site Ohhtel.com, direcionado especificamente a pessoas casadas que desejam ter um “caso”, no início de 2012, em pouco mais de dois meses de atividade no Brasil, o site já contava com 281 mil usuários, sendo mais de cem mil inscrições só de mulheres. Repito: cem mil brasileiras casadas em busca de relacionamentos extraconjugais! E mais: a cada 17 segundos uma nova mulher em busca de relações extraconjugais entra nessa rede.

Porém, há quem busque “apenas” as conversas em salas de bate-papo sem limites, ocultas no anonimato, com a “segurança” da distância, o que pode  levar à ilusão de que se trata apenas de um “amigo” virtual. Mas nos lembremos do texto de Mateus 5: 27 e 28, que nos adverte que um olhar malicioso já configura adultério, ou seja, não podemos ocultar de Deus nossas intenções. Além do mais, geralmente esse tipo de relação começa de forma despretensiosa, com troca de informações superficiais, mas se aprofunda com o passar do tempo, surgindo o “romance virtual” e, quase sempre, o relacionamento físico extraconjugal.

Para quem está trilhando o perigoso caminho do adultério e deseja parar antes que seja muito tarde e as consequências, muito danosas, o primeiro passo é reconhecer a gravidade do erro. Enquanto você agir como se tudo não passasse de uma brincadeira, um jogo de sedução, com o pensamento equivocado de que tudo está sob controle, de que você para o jogo na hora em que quiser, o inimigo vai levá-lo cada vez mais longe, até que o plano dele tenha êxito. Reconhecer significa admitir que você está em pecado, é isso o que tal prática significa, não há dúvidas diante da advertência de Jesus em Mateus 5:28.

Outro passo é a confissão do pecado diante de Deus. Em 1 João 1:9 aprendemos que: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça”. Confessar pecados não é ter uma conversa vaga com Deus, mas dizer com todas as letras o que estamos praticando ou pensando, pedindo dele forças para nos libertar do pecado.

Vencer a tentação demanda atitudes, portanto, você deve romper imediatamente com a prática, não adie para amanhã, pode ser muito tarde. Em Provérbios, capítulo 5, em que Salomão nos adverte a deixar a lascívia, lemos: “Fique longe dessa mulher; não se aproxime da porta de sua casa” (v. 8). Parafraseando, podemos trazer para o contexto da mulher: “Fique longe desse homem; não se aproxime da porta de sua casa, de sua mesa de trabalho, de seu MSN, facebook, twitter, e-mails, seu número de celular, etc”. Como um vício, a relação pecaminosa deve ser cortada pela raiz para ser vencida.

Não se engane de que você é forte o suficiente para fazer isso sozinho, confiado apenas em você mesmo. Busque diariamente o auxílio do Espírito Santo para vencer esta que será uma verdadeira batalha. Admita sua total dependência de Deus e busque-o em todo o tempo, ele é poderoso para lhe dar a vitória. “Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.” (1 Co 10:13).

Peça também a Deus que restaure a afeição, o amor, o respeito, a admiração por seu cônjuge. Enxergar apenas os defeitos do outro e potencializá-los é o caminho mais rápido para ressentimentos e separações. Deus pode restaurar o sentimento que você nutria por ele (a) quando se conheceram, quando namoravam, quando se casaram. O amor que aprecia apenas as virtudes não é o amor segundo a Palavra de Deus (I Coríntios 13), pelo contrário, o amor bíblico continua forte e estável apesar dos defeitos do outro.

Por fim, se você se arrepender, confessar, mudar de atitude e buscar o perdão de Deus, não permita que o inimigo a aprisione na tortura da culpa, aceite a absolvição e viva nela. “Agora Deus diz que nos aceitará e nos absolverá – ele nos declarará sem culpa – se nós confiarmos em Jesus Cristo para ele tirar os nossos pecados. E todos nós podemos ser salvos deste mesmo modo, vindo a Cristo, não importa o que somos ou o que temos sido”. (Rm 3: 22 – BV)

Pr. Aldo de Oliveira congrega na IAP em Vila Maria e é diretor do Departamento Ministerial da Convenção Geral da IAP.

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