O repouso de um combatente

A morte, na visão do apóstolo Paulo

Em Belém, antes do dia 2 de novembro, “crianças foram flagradas limpando túmulos de cemitérios. Como não há fiscalização, os menores acabam fazendo um trabalho que seria da prefeitura”, registrou o Portal R7. O caso será investigado pelo Ministério Público do Estado. Além de Belém, houve operação de fiscalização em Rio Branco, no Acre.

Na capital paulista, o cemitério de Vila Formosa, na zona leste, teve um grande movimento no dia 2, mas o público começou a aumentar dias antes. De acordo com a administração do cemitério, o movimento já era maior desde o sábado (dia 29) e esperava-se de 80 mil a 100 mil pessoas, na semana de finados, de acordo com o R7.

O “Dia de Finados” levou milhões de pessoas aos cemitérios brasileiros. Só no Rio de Janeiro, foram mais de dois milhões de pessoas, segundo a Secretaria de Conservação e Serviços Públicos.

Olhando para a Bíblia, vamos começar pelo fim da vida Paulo: Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado.(2Tm 4.6). Algumas palavras tristes e outras alegres. Tristes porque sua hora de morrer, de partir, já estava se aproximando. Alegres porque a sua morte, bem como a de todos os que foram salvos pela graça e que andam em santidade, não terminam no caixão, mas é apenas um período de tempo para a recompensa de vida eterna!

E Paulo prossegue: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (2Tm 4.7). Na Bíblia de Estudo Shedd, encontramos um comentário interessante sobre este versículo. Como um bom soldado, Paulo tinha “combatido o com combate”. Como um atleta ele tinha completado a carreira” e como um cuidadoso mordomo “guardou a fé”. O apóstolo só estava esperando sua partida e depois, seu descanso, para que no dia da vinda de Cristo ele recebesse do próprio Senhor a “coroa da justiça”.

Paulo encerra este parágrafo com mais uma surpreendente revelação: “Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.” (2Tm 4.8). Vamos meditar um pouco mais nestas palavras.

Em primeiro lugar, aprendemos que, a recompensa do cristão é uma realidade presente: “Já agora a coroa da justiça me está guardada (…)” (v.8a). Um comentário bíblico ajuda-nos entender o que Paulo quer dizer com coroa de justiça: “Nos jogos atléticos romanos, dava-se uma grinalda de louro aos ganhadores. Símbolo de triunfo e honra, era o prêmio mais ansiado na antiga Roma. Isto é provavelmente o que Paulo tinha em mente quando falou de uma “coroa”. Mas a sua seria uma coroa de justiça”. (*)

Interessante é que Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, usa algumas palavras interessantes nesta frase. Vejamos o início da frase: “já agora, veja que Paulo fala de algo que já acontece, é presente, é uma realidade. E depois que fala da “coroa da justiça, o servo do Senhor diz que ela está “guardada”.

Veja que ele diz que a coroa já é uma certeza para o cristão que está servindo a Cristo, mas que ela está guardada. Isso nos lembra o que o escritor aos hebreus disse: Ora, todos estes que obtiveram bom testemunho por sua fé não obtiveram, contudo, a concretização da promessa,” (11.39), ou seja, sua recompensa não foi imediata. Eles não receberam o prêmio ainda, como uma canção erroneamente fala sobre a recompensa dos justos: “e quando morre vai direto para glória, a recompensa é a coroa de vitória!”. Na verdade, os “heróis da fé” não estão lá, não foram recompensados apesar de seu bom testemunho. Os nossos exemplos de fé estão “dormindo” no Senhor (1Ts 4.14). Os santos que já morreram aguardam a ressurreição dos justos! Sua recompensa já está garantida, mas só será entregue naquele dia! É o que veremos a seguir.

Em segundo lugar, aprendemos que a recompensa do cristão é uma entrega futura: “(…) a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele dia;” (v.8b). Se Paulo tinha certeza que iria morrer, ele também tinha certeza de que iria ressuscitar. Afinal, ele faz uma brilhante exposição sobre a ressurreição em 1 Co 15 e em outras partes de suas cartas sagradas.

Se o servo do Senhor tinha fé que Deus existia, mas não somente isso, ele também acreditava que o Senhor é recompensador desses que crêem em seu nome (Hb 11.6). Paulo era convicto de que receberia a coroa das mãos do Senhor, afinal, é ele quem nos recompensará (Jo 10.28)! Ele é justo e fiel à sua Palavra, por isso não seremos confundidos!

O apóstolo nos revela que a recompensa do cristão será dada naquele dia”, que dia é esse? O dia da vinda de Jesus como ele nos fala no fim do versículo! Esse será O Dia! O dia do encontro com o Senhor, o dia da coroação! Um dia que Paulo não sabia quando seria, lembrando talvez do que disse Jesus: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai.” (Mt 24.36). Ele não especulava a data da vinda de Cristo, mas tinha certeza que ela aconteceria! Não somente para ele, mas a todo povo de Deus. É assim que Paulo encerra o versículo.

Em terceiro e último lugar, aprendemos que a recompensa do cristão é abrangente: “(…) e não somente a mim, mas também a todos quanto amam a sua vinda” (v.8c). O autor da carta aos Hebreus, depois de falar que os heróis da fé não receberam o cumprimento da promessa, versículo já citado aqui, prossegue e nos dá a resposta porque não receberam a recompensa ainda, se ela já está reservada. Ele diz: Deus havia planejado algo melhor para nós, para que conosco fossem eles aperfeiçoados.” (Hb 11.40 NVI). Deus estava esperando salvar você, e quer salvar-lhe, para então cumprir sua promessa!

Assim como na Ceia do Senhor devemos esperar uns pelos outros (1 Co 11.33), acontecerá na vinda do Senhor. Veja você mesmo na Bíblia o que o Espírito, através de Paulo, nos ensina em 1 Tessalonicenses 4.13-18. Apesar de não terem ainda recebido a promessa, os que já morreram serão recebidos  primeiro e depois, os que estiverem vivos!

 

Note que os participantes da vinda do Senhor são aqueles que a amam. Provavelmente aqui encontramos a palavra “αγαπάω” que entre seus muitos sentidos passa a ideia daquele que anseia, valoriza ou que tem em maior estima. (**) Por isso não percamos o amor, sigamos a palavra: “Sede vós também pacientes; fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima.” (Tg 5.8)! Continuemos guardando os mandamentos do Senhor, como ele mesmo disse (Jo 14.21). Não desanimemos, pois juntamente com os santos do passado, receberemos a recompensa de vida eterna no futuro!

Chegando ao final, existem muitas pessoas equivocadas, achando que quando alguém morre vai para o céu, se for cristão, ou para o inferno, se for pagão. A verdade é que quem morre vai para a sepultura (Ec 3.20)! Mas existe uma diferença para quem morre com o Senhor e aquele que morre sem o Salvador. O primeiro, o justo, será ressuscitado pelo Justo Juiz, na primeira ressurreição, para receber a recompensa do cristão. Veja em Apocalipse 20.6.  O segundo, o ímpio, será ressuscitado na segunda ressurreição, a dos ímpios, para receber o justo juízo. Veja em Apocalipse 20.5, 14-15.

Por isso devemos viver hoje como filhos de Deus. Depois que morrermos, não há mais nada o que fazer. Uma canção nos ajuda a pensar sobre isso: “Agora não adianta prece, ou ave Maria, irá aguardar até o último dia, o juízo final”. Que possamos viver e morrer para o Senhor! (Rm 14.8).

 

Andrei C. S. Soares é missionário da IAP em Igarapé-Açu (PA).

 

(*) In The Word. Bíblia digital com estudos. Comentário sobre 2 Tm 4.8. Acesso 2/11/11.

(**) Trecho baseado na pesquisa feita no Léxico do Novo Testamento. Editora Vida Nova , p.10