O sábado (Parte 1)

Um presente de Deus

O sábado foi feito para servir as pessoas… (Mc 2:27a, NTLH).

Por muito tempo nós fomos considerados legalistas. Para muitos, no passado, e para alguns ainda hoje, o sábado era maior do que Jesus. A pessoa era salva com base no sábado, isto é, se ela o guardava ou se ela não o guardava. Graças a Deus, entendemos que Jesus é maior que o sábado. Mesmo fazendo parte de uma igreja sabatista, o centro da nossa pregação é Cristo. Cremos na salvação pela graça por meio da fé em Cristo Jesus.

Diante dessa verdade, precisamos dizer que nossa intenção não é menosprezar o valor do sábado como mandamento de Deus. Ele continua sendo importante e válido. Infelizmente, muita gente descambou para esta desvalorização. Neste arti-go, gostaria que nós pensássemos na importância deste mandamento. Sem exage-ros. Sem legalismos. Partindo de Marcos 2:23-28, tentemos enxergar o sábado como realmente ele é: um presente de Deus para os seres humanos.

Não era assim que os fariseus o enxergavam. “Perseguidores profissionais” ou “policiais do sábado”, ou ainda “espiões”, os três títulos definem muito bem os fariseus. Afinal de contas, dar-se ao trabalho de ficar escondido no meio das sea-ras, em pleno sábado, só para acusar quem passasse por ali, é chocante! Que tipo de religião é esta? Acha que estamos exagerando? Leia o episódio narrado em Marcos 2:23-28.

Esses líderes estavam usando os mandamentos de Deus para transformar a vida das pessoas num fardo terrivelmente pesado. Transformaram o sábado num far-do. Criam 39 regras sobre como guardar o sábado. Infelizmente, ainda no século XXI, temos muitos policiais do sábado, espalhados pelas nossas igrejas. E ai de quem não andar de acordo com a cartilha que eles criaram! Eles fazem com que o sábado seja um fardo e não uma bênção. Se o sábado é, para você, um fardo, é bem possível que sua visão sobre este mandamento esteja distorcida. Então, va-mos ao texto proposto, onde Jesus mostra que o sábado é um presente singular de Deus para o ser humano. Gostaria de fazer duas considerações à luz deste tex-to.

1. A origem divina do mandamento
Este texto conta que Jesus atravessava uma plantação no dia de sábado com seus discípulos e estes estavam com fome (Mt 12:1). No sábado, a mesa do povo de Deus era farta, afinal, este é um dia de celebração. Comentaristas dizem que al-gumas pessoas chegavam a comer menos no dia anterior, para garantir o apetite no sábado. Não sabemos se este era o caso dos discípulos, mas o fato é que eles estavam com muita fome. Por isso mesmo, começaram a colher espigas e comê-las.

Nas leis presentes no livro de Deuteronômio, havia uma que dizia que qualquer israelita com fome poderia entrar no campo do seu próximo e apanhar comida, conquanto que não utilizasse foice (Dt 23:25). Isso era possível por causa de ou-tra lei sobre as colheitas, que prescrevia aos agricultores hebreus que não co-lhessem os cantos dos terrenos cultivados (Lv 19:9-10), pois estas partes eram para o pobre e para o necessitado. Na lei não havia nada falando sobre o dia de colher, pois a motivação para tal colheita era a fome. Sendo assim, Jesus e os seus discípulos, de acordo com a lei de Deus, não estavam cometendo nenhum erro.

Mas os policiais do sábado tinham regras próprias, criadas por eles mesmos. De acordo com as 39 proibições que redigiram sobre a guarda do sábado, uma delas dizia que era proibido colher, selecionar e separar grãos no sábado. Ah! Agora sim entendemos o porquê do espanto deles. De acordo com suas tradições, Jesus e os discípulos estavam realmente fazendo o que não era permitido fazer no sá-bado. Mas não de acordo com o mandamento de Deus!

Na sequência do texto, Jesus os responde e, em sua fala, Jesus rebate os seus exa-geros levando-nos a uma leitura correta do mandamento. E, à luz de sua fala, po-demos ver claramente que ele entendia ser o sábado um mandamento de origem divina: O sábado foi feito para o homem… (v. 27). A palavra traduzida por “feito” significa, dentre outras coisas: “vir à existência” ou “começar a ser”. Este verbo, aplicado ao sábado, nos faz lembrar o relato da criação. Quando é que o sábado foi feito para o homem ou para servir as pessoas? Logicamente, em Gênesis 2:2-3. Logo depois de criar o homem, Deus criou o sábado.

Podemos dizer, sem nenhum medo de cometer erros doutrinários, que, como o sábado só começou a existir por causa do ser humano, enquanto existir “ser hu-mano”, existirá o “sábado”. É importante destacarmos também que Jesus disse que o sábado foi feito por causa do “homem”, isto é, do “ser humano” (gr. anthro-pos), e não somente do povo judeu, como alguns gostam de afirmar.

Sendo assim, nunca nos esqueçamos disso: o sábado tem origem divina. É para o ser humano. Foi criado no princípio de tudo. No mundo perfeito, criado por Deus, havia lugar para o sétimo dia. Ele faz parte da ordem natural das coisas criadas por ele. Deus fez uma semana de sete dias, e no fim destes, o ser humano deveria fazer uma pausa. Mas, uma pausa para quê? Com que objetivo o sábado foi cria-do? Este será o tema do nosso próximo artigo.

Pr. Eleilton Willian de Souza Freitas congrega na IAP em Vila Maria (SP) e é cola-borador do Departamento de Educação Cristã (DEC). Leia a parte 2 nos próximos dias

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