FP: Pode-se afirmar que a vida da família Silveira e as vidas de outras pessoas do seu relacionamento tiveram fortes mudanças, após 24 de janeiro de 1932?

Pr. Osi: Sem dúvida, as mudanças foram muitas, mas a família permaneceu unida. Por convicção na Palavra de Deus, trabalhamos todos juntos na administração desta maravilhosa obra. O Junílio se destacou como evangelista, e sua dedicação ao trabalho foi de grande valor para o crescimento da igreja. O Otoniel e eu trabalhamos mais nos serviços internos e burocráticos. O meu pai escrevia lições bíblicas e também redigia diversos artigos para o O Restaurador. O trabalho exigia a comunhão e a unidade da nossa família. Em outras famílias, também houve mudanças. Meu pai era chamado a fazer muitas viagens, para visitar membros adventistas do 7º dia, que tinham grande interesse sobre o batismo no Espírito Santo; tanto foi assim que, em 12 de outubro de 1933, meu pai ficou ausente de casa pelo período de nove meses, viajando pelo Estado de São Paulo, visitando e dando estudos às pessoas interessadas. Nessa ocasião, já havia sessenta e duas pessoas batizadas no Espírito Santo, em Recife-PE.

FP: O senhor é, hoje, a única testemunha dos fatos ocorridos na época?

Pr. Osi: Penso que sim, pelo menos no que diz respeito à minha família. Entretanto, eu só comecei a observar o desenvolvimento da igreja a partir dos sete anos de idade. Mas, muito antes dessa idade, tenho em minha memória as primeiras vigílias ao ar livre, que eram realizadas no sítio da família Jurema, uma das primeiras famílias convertidas.

FP: Lembra-se o senhor de ter ouvido, da parte de seu pai, referências a alguma ou a algumas realizações significativas? Que realizações foram essas?

Pr. Osi: O que mais me chamava a atenção em meu pai era a sua convicção doutrinária e a forma como defendia com ardor a palavra em que cria. Seu pulso doutrinário era firme, e não temia quando tinha de usá-lo para rebater aqueles que desejavam introduzir pontos doutrinários não aceitáveis. Depois de muitos estudos e reuniões, foram estabelecidos, em comum acordo, com a liderança da época, os trinta pontos de nossa fé, que, hoje, se encontram no Doutrinal.

FP: Revelou seu pai, alguma vez, ter se sentido frustrado (ou ansioso) por algum plano não realizado?

Pr. Osi: Os momentos difíceis eram encarados por ele sem abatimento; em meio a grandes combates vividos pela igreja, o resultado era o fortalecimento de todo o movimento. A igreja não contabilizava prejuízos, mas, sim, lucros no seu crescimento.

FP: Quais os principais cargos que o senhor já exerceu na IAP?

Pr. Osi: Eu fui presidente da Fumap, durante 5 anos, exerci as funções de secretário geral, presidente da mesa administrativa, chefe do departamento de publicações, pastor da igreja de V. Maria e de Edu Chaves.

FP: Como filho do pioneiro, que mensagem o senhor gostaria de deixar para todos os promessistas?

Pr. Osi: Que olhem para cima, para trás e para frente e sigam.