Que chamado é esse?

Deus nos capacita a animar os aflitos, apesar de nossas lutas diárias

“O Senhor Deus me deu o seu Espírito, pois ele me escolheu para levar boas notícias aos pobres; Ele me enviou para animar os aflitos, para anunciar a libertação dos escravos e a liberdade para os que estão na prisão.” Is.61:1

Dentre os chamados descritos no texto de Isaías 61.1, um dos que mais me desperta a atenção é para animar os aflitos.

Vivemos em um mundo onde existem problemas de todas as formas e profundidades, perturbações, dificuldades, tristezas, desespero, corações contritos por conta da correria do dia a dia e da agitação dos centros urbanos, etc. Sofremos por conta do esgotamento intelectual devido às preocupações, sofremos por conta do esgotamento físico provocado por um mundo agitado e exigente, sofremos por conta de um mundo materialista incapaz de oferecer alternativas espirituais que satisfaça o homem interior, sofremos com a crise financeira que desestrutura lares, sofremos com o crescimento da agressividade e da violência em todos os níveis.

A vida, com certeza, é cheia de emoções que podem dar um colorido especial à nossa caminhada ou torná-la opaca e sem brilho.

Os sentimentos não são uma mera decoração das emoções, qualquer coisa que possamos guardar ou jogar fora. Os sentimentos geralmente são revelações do nosso estado de vida: medo, ira, remorso, tristeza, preocupação, decepção, vergonha, alegria, esperança, gratidão, felicidade. A forma como processamos as nossas emoções varia de acordo com nosso temperamento, personalidade, nossa história de vida e dos conceitos adquiridos pelas nossa fé.

As emoções, no dia a dia, nos servem de estímulos. Elas estabelecem nossa rota, nos direcionam e, até mesmo, nos corrigem. Considerando que a vida é como uma acrobacia na corda bamba, a maior parte dos sentimentos são expressões de uma luta contínua para atingir o equilíbrio.

Mas como podemos aumentar nosso próprio bem estar, mesmo em situações adversas? Existem duas maneiras de mudar o nosso dia a dia com decisão e ação: exercitar a gratidão, pois ela aumenta a apreciação das coisas boas e que nos edificam; e praticar o perdão, já que este diminui o poder dos acontecimentos negativos em promover a amargura.

Podemos sim reescrever a nossa história, transformando as más lembranças e não nos realimentando de emoções negativas. O perdão proporciona saúde física e emocional, portanto, é fundamental! Que Deus nos ajude a exercitar o auto perdão (por meio do qual podemos começar de novo, subtraindo o aprendizado da experiência sem rancores), e ainda praticar o perdão em nossos relacionamentos interpessoais (em família, na igreja e na comunidade).

A Palavra do Senhor nos faz lembrar em Provérbios 15:3 que “o Senhor Deus vê o que acontece em toda parte” e que “o Senhor Deus é bom. Em tempos difíceis ele salva o seu povo e cuida dos que procuram a sua proteção” (Naum1.7).

Por conta das emoções negativas, muitos permanecem com profundas feridas provenientes de experiências do passado. Algumas vêm da infância e continuam presentes, outras vêm de casamentos desestruturados e escolhas incertas, mas Jesus, em Mateus 19.26, nos diz que há restauração para nós, porque “…para Deus, tudo é possível”.

Certos que seremos auxiliados pelo Senhor, confessemos nossas mágoas porque o Senhor nos ouve, “Ele fica perto dos que estão desanimados e salva os que perderam a esperança” (Sl 34:18). Compreenda que Deus perdoou as nossas culpas, então, devemos ser “uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como Deus, em Cristo vos perdoou” (Ef.4:22).
Além das nossas lutas diárias, Deus nos chamou para animar os aflitos. Com certeza, Ele está conosco nesta missão. O apóstolo Pedro nos lembra que devemos entregar nossas preocupações a Deus, porque ele cuida de nós (I Pedro 5:7). Louvado seja o Senhor pelo seu cuidado para com os seus. Que Deus abençoe o nosso ministério em todo o tempo!

Dsa. Zildeli F. Carmo Del Pozzo congrega na IAP em Vila Kellen (Campo Grande – MS) e atua no Ministério de Vida Pastoral (MVP) – Convenção Sul Matogrossense