Sabedoria nos relacionamentos

Tempo para tudo – calar ou falar

Existe um ditado popular que diz: “O falar é de prata e o ouvir é de ouro”. Certamente, este pensamento demonstra o valor de sabermos o que e como falamos, além de reforçar também o quanto é valioso e importante saber ouvir. Sobre isso, já ouvi até mesmo a frase: “temos dois ouvidos e uma boca. Isso significa que devemos ouvir muito mais do que falamos”. O fato é que todos nós já nos deparamos com situações em que pensamos: será que esse é o melhor momento para eu falar algo para aquela pessoa? Ou será que devo apenas ouvir? Saber o momento mais apropriado para falar e para calar é um desafio para todos nós, que enfrentamos situações que nos provam quase que diariamente. Reconhecer o momento de falar e o momento de calar influencia os nossos relacionamentos e a forma pela qual lidamos com as pessoas que estão à nossa volta.

A Bíblia Sagrada nos orienta da melhor maneira a respeito dessa questão. Em Eclesiastes 3. 7 está escrito que existe “tempo de calar, tempo de falar”. Ao longo dos oito primeiros versículos de Eclesiastes 3, lemos vários exemplos de situações que estão relacionadas ao versículo 1: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”. Precisamos entender e reconhecer que, pelo fato de existir um tempo para todas as coisas, consequentemente também existe o momento em que devemos calar e outro em que a melhor alternativa é falar.

Eclesiastes 3: 7 também nos ensina sobre a importância de calarmos e ouvirmos o outro. Esse ouvir não é simplesmente escutar as palavras que estão saindo da boca do outro, mas se preocupar, dar atenção, respeitar e sentir compaixão. É realmente nos interessarmos pelo outro e por seus dilemas, vitórias, frustrações, angústias e sucessos. É também não tomar partido numa determinada situação, mas ouvir o que aconteceu primeiro. Sobre isso, certa vez li uma frase bem interessante: “Se você não tem nada de bom para falar, nenhum elogio para dizer, nada de construtivo para acrescentar e nenhuma palavra de consolo para ofertar… é melhor calar!” Só se cala e ouve quem ama o outro. Um ponto muito interessante que podemos perceber em Eclesiastes é que o verbo ouvir é mencionado antes do falar. O que pode nos indicar que primeiro ouvimos o outro, e depois de o ouvirmos é que falamos (com amor, respeito e empatia).

Por outro lado, lemos que existe o tempo de falar. No entanto, aqui a orientação não é para que nós falemos tudo o que “vier em nossas cabeças” com a justificativa de estarmos sendo sinceros, sem nem ao menos nos preocuparmos em magoar ou ferir as outras pessoas. Precisamos ponderar e avaliar aquilo que falamos, pois se não agirmos desta maneira, nossas palavras podem causar um grande prejuízo para nós mesmos e para aqueles a quem falamos. Uma palavra insensata e/ou precipitada pode ser responsável por acabar com um relacionamento. Uma palavra falada não pode ser retirada, sendo assim, é imprescindível estarmos atentos para o que falamos, como falamos e em que momentos falamos. Quem não reflete no que vai falar, acaba pagando um alto preço por sua precipitação e insensatez.

Da mesma forma, reconhecer que existe um tempo para todas as coisas, inclusive para falar, nos ensina que não podemos ser omissos. Sempre vão existir momentos em que precisamos falar, seja para ensinar, corrigir, ajudar, entre outros. É importante compreendermos que, justamente nestas situações, as nossas palavras podem ser um instrumento de Deus para auxiliar, consolar, encorajar, discipular e compartilhar o evangelho com outras pessoas. Para que nossas palavras sejam usadas pelo Espírito Santo com o propósito de edificar e ajudar as pessoas é necessário que estejamos firmados em Cristo e em sua Palavra. E que sejamos transformados pelo Senhor diariamente.

Certamente, é um grande desafio cuidar daquilo que falamos (principalmente quando estamos irritados ou magoados), mas precisamos praticar a orientação da palavra de Deus que está registrada em Tg 1. 19 – “Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se”. Assim como em Eclesiastes, observamos em Tiago uma orientação clara sobre a importância de sabermos o momento de ouvir e o momento de falar. A partir do momento em que praticamos esse princípio bíblico, nossos relacionamentos são edificados e restaurados pelo Senhor. Finalmente, se precisamos de sabedoria para reconhecer o momento de calar e o de falar com as outras pessoas é só buscarmos em Deus que ele nos dará (Tg 1. 5).

Que cada um de nós entenda que existe o tempo de calar e de ouvir, e o tempo de falar. Além disso, que sejamos motivados a construir relacionamentos baseados no amor, no perdão, no respeito mútuo e na empatia. Esta é a vontade de Deus para todos nós.

 

Dsa. Claudia Duarte congrega na IAP em Votuporanga (SP) e é diretora do Departamento Infantojuvenil Regional da Convenção Noroeste Paulista.