SERMÃO 13º SÁBADO

MINHA CASA, LUGAR DE PROCLAMAÇÃO

 
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INTRODUÇÃO

É possível que você nunca tenha percebido, mas há, no Novo Testamento, de forma evidente e clara, uma forte ênfase sobre as casas. De acordo com a narrativa bíblica, o próprio Jesus Cristo reuniu-se várias vezes, nas casas, durante todo o seu ministério (cf. Mc 7:17, 9:28; Lc 10:38-42). Quando lemos os evangelhos, percebemos que Jesus usava as casas como centros de ensino, discipulado, evangelismo, cura, intimidade e serviço. Pelo que se nota, a igreja dos primeiros séculos seguiu seu exemplo. Os cristãos não construíram nenhum templo, até o terceiro século.

Sim, era somente nas casas que os primeiros cristãos reuniam-se para orar (At 12:12-17), para confraternizar-se, para partilhar momentos de comunhão (At 2:42, 44, 46), para  ensinar, discipular novos convertidos (At 5:42, 20:7-12,20) e adorar a Jesus Cristo, como igreja (Rm 16:3-5,23; 1 Co 16:19; Cl 4:15; Fl 1:2). Hoje, em especial, veremos que, além de lugar de comunhão, de discipulado e de adoração, as casas dos cristãos no Novo Testamento eram um lugar de proclamação do evangelho de Cristo e precisam continuar  a ser em nossos dias. Vejamos o que a Bíblia nos ensina sobre isso.

 

1º ENSINO: NOSSAS CASAS DEVEM SER UM LUGAR DE PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO AOS NOSSOS AMIGOS NÃO CRISTÃOS

Quem pode nos ensinar como nossa casa pode ser um espaço de proclamação do evangelho para nossos amigos não cristãos é Mateus. Sua história está registrada em Lucas 5:27-32. Veja só o que o texto nos diz:

E, depois disso, saiu, e viu um publicano, chamado Levi, assentado na recebedoria, e disse-lhe: Segue-me.  E ele, deixando tudo, levantou-se e o seguiu.  E fez-lhe Levi um grande banquete em sua casa; e havia ali uma multidão de publicanos e outros que estavam com eles à mesa (Lc 5:27:29).

 

            Pense por um momento: Quantos amigos seus ainda não conhecem a Jesus? E o que você já fez para que eles pudessem conhecê-lo? Como lemos, uma vez que se encontrou com Cristo, Mateus não perdeu tempo e prontamente apresentou o Salvador aos seus amigos. Ele deu um banquete em sua casa e convidou seus amigos publicanos para ouvir as palavras do Mestre. Esses publicanos que estavam na casa de Mateus eram pessoas próximas dele, com as quais convivia com regularidade, que ficavam na coletoria cobrando impostos juntamente com ele, com as quais conversava durante o dia; provavelmente, contavam, juntos, o dinheiro arrecadado, ao findar o expediente; enfim, eram colegas de trabalho, assim como você e eu temos os nossos amigos do serviço ou da faculdade.

Mateus não se esqueceu deles, quando encontrou a Jesus. Tão logo se encontrou com o Mestre dos mestres, já os convidou para conhecê-lo também. Não perdeu tempo, não deixou a oportunidade passar. Ele queria que seus amigos de serviço tivessem um encontro com Jesus. Responda para si mesmo: Você deseja o mesmo? Deseja que seus amigos não cristãos conheçam a Jesus?

Se a resposta for sim, empenhe-se para que os seus colegas de trabalho tenham um encontro com ele. Faça como Mateus: abra as portas de sua casa, para recebê-los. Você não gostaria que o mesmo acontecesse em sua casa? Pois bem, isso é completamente possível. Os Pequenos Grupos podem favorecer essa experiência gloriosa. Mateus nos ensina que nossas casas devem ser um lugar de proclamação para nossos amigos não cristãos.  Mateus nos ensina que “aqueles que são verdadeiramente convertidos desejam promover a conversão de outros”.

Esse é o primeiro ensino bíblico que gostaríamos de compartilhar. O segundo é este:

 

2º ENSINO: NOSSAS CASAS DEVEM SER UM LUGAR DE PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO AOS NOSSOS FAMILIARES NÃO CRISTÃOS

Outro exemplo formidável de como nossas casas podem ser um espaço para a proclamação do evangelho aos nossos familiares não cristãos é o exemplo do carcereiro de Filipos, narrado em Atos 16:25-34. Não sabemos o nome dele, pois Lucas, o autor de Atos dos Apóstolos, não nos deixou tal registro. O que sabemos é que ele era um cidadão romano, provavelmente de classe média, encarregado, dentre outras funções, de cuidar do cárcere na cidade de Filipos. Ele ficou responsável por vigiar Paulo e Silas, quando estes foram presos injustamente, por ter libertado uma menina endemoniada, que era explorada na arte de adivinhação (At 16:16-22).

Como sabemos, por volta da meia noite, um terremoto aconteceu (v.26). De acordo com a narrativa, o carcereiro acordou. Quando viu que os portões da cadeia estavam abertos, pensou que os prisioneiros tinham fugido. Então puxou a espada e ia se matar, mas Paulo gritou bem alto: — Não faça isso! Todos nós estamos aqui! (v.27-28 NTLH). Estarrecido com o que acontecera, reconhece a sobrenaturalidade do fato e pergunta a Paulo e Silas: Senhores, que preciso fazer para ser salvo? (v.30); e recebe como resposta: Crê no Senhor Jesus, e tu e tua casa sereis salvos (v.31). O texto nos diz, então, que Paulo Silas pregaram a palavra de Deus a todos os que estavam em sua casa (v.32). Que glorioso? Deus não procura salvar somente indivíduos, mas famílias inteiras (cf. At 11:14, 16:15, 18:8).

Ele não deseja salvar somente a você, mas todos os seus familiares não cristãos. Neste sentido, aprendemos duas lições importantes com o carcereiro de Filipos. Em primeiro lugar, que devemos estar dispostos a compartilhar o evangelho com nossos familiares. O que contribuiu para que a salvação se tornasse verdade para aquela família foi a disposição do carcereiro em compartilhar com os outros a mensagem que recebera de Paulo e Silas. Ele ouviu a mensagem de Salvação e não a guardou para si mesmo; pelo contrário, levou os apóstolos para que pregassem essa mesma mensagem aos de sua casa. Não podemos fazer diferente. Nossos lares precisam ser espaços onde nossos parentes mais próximos e nossos familiares possam ser salvos por nosso Senhor Jesus. Mas, para isso é preciso abrir as portas de nossas casas.

Em segundo lugar, aprendemos que devemos criar situações para que nossa família ouça o evangelho. O texto não diz explicitamente, mas podemos inferir que o carcereiro levou os apóstolos para a sua casa. O carcereiro providenciou uma maneira para que sua família ouvisse a mensagem do evangelho. Isso nos ensina que precisamos criar situações que possibilitem a pregação do evangelho aos nossos familiares, e o Pequeno Grupo é um ótimo momento para que eles conheçam o Deus a quem servimos. Lá, poderão ouvir a palavra de Deus, desenvolver amizades significativas com cristãos e ser integrados na vida da igreja. Sim, os Pequenos Grupos são uma estratégia para que vejamos a salvação alcançando toda a nossa família.

O terceiro ensino é este:

 

3º ENSINO: NOSSAS CASAS DEVEM SER UM LUGAR DE PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO AOS NOSSOS VIZINHOS NÃO CRISTÃOS

            Nossas casas precisam ser um lugar de proclamação do evangelho para amigos e familiares, mas também para vizinhos não cristãos. Aprendemos isso em Atos 18:7-8. No contexto desta porção da Escritura, aprendemos que Paulo estava em Corinto pregando o evangelho de Jesus na sinagoga da cidade (v.4); mas alguns dos judeus rejeitaram a mensagem do evangelho. Então, em sinal de protesto, Paulo sacudiu o pó das suas roupas e disse: Se vocês se perderem, os culpados serão vocês mesmos. A responsabilidade não será minha. De agora em diante vou anunciar a mensagem aos não-judeus (v.6 NTLH).

Pois bem, foi exatamente isto que Paulo fez: E saindo dali, entrou em casa de um homem temente a Deus, chamado Tito Justo, cuja casa ficava junto da sinagoga (v.7). Uma vez que Paulo não pregava mais na sinagoga, precisava de um novo lugar para ensinar, “e a casa de Tício Justo acabou por ser esse lugar”. Tício, um cidadão romano convertido a Cristo, abriu as portas de sua casa para que, nela, Paulo pregasse o evangelho de Jesus Cristo. Tudo dá a entender, de acordo com o versículo 8, que muitos dos coríntios começaram a frequentar a casa de Tício, e, ouvindo o evangelho, criam na palavra de Deus e eram batizados.

Que exemplo maravilhoso! Tício abriu as portas de sua casa, que deveria ser grande, já que os estudiosos sugerem que ele era rico, para que seus vizinhos da cidade de Corinto ouvissem a palavra de Deus. “Muitos coríntios, tanto judeus como gregos, ouviram as instruções de Paulo e creram”. Você já imaginou se o mesmo acontecesse em sua casa? Se vizinhos seus ouvissem a palavra de Deus em sua casa e cressem em Jesus? Já os imaginou se rendendo aos pés de Cristo em seu lar? Não seria maravilhoso?

Na verdade, nós não precisamos imaginar por que isso pode ser uma realidade em nossas casas. Se ouvirmos o que Deus está nos ensinando por meio de sua palavra, entenderemos que devemos fazer de nosso lar um lugar para que nossos vizinhos conheçam a fé cristã e possam ser salvos por Jesus Cristo, nosso Senhor. Precisamos abrir as portas de nossa casa para que pessoas não cristãs conheçam o evangelho. Você já fez isso? De acordo com o Novo Testamento, a casa do cristão é uma base de evangelização, na área da cidade em que está localizado, para alcançar pessoas que estão distantes de Deus. Pense nisso!

 

CONCLUSÃO

Em suma, estes são os três ensinos bíblicos que gostaríamos de compartilhar com vocês hoje: nossa casa deve ser um lugar de proclamação do evangelho para nossos amigos, nossos familiares e vizinhos não cristãos. Como temos enfatizado, o Pequeno Grupo é um ótimo espaço para que possamos cumprir o que aprendemos até aqui. Isso porque, por ser um ambiente informal, participativo e relacional, o Pequeno Grupo torna-se um excelente lugar aonde podemos levar pessoas não cristãs.

É um espaço em que elas se sentem à vontade, acolhidas pelos cristãos e integradas na comunidade de fé. Sendo assim, o que você acha de abrir sua casa para que um Pequeno Grupo aconteça? Já havia pensado nisso? Hoje, você aprendeu que nossas casas precisam ser um lugar de proclamação. Se você aceitar este desafio, ore, desde já, por seus amigos, familiares e vizinhos não cristãos, para que eles aceitem seu convite de participar de um Pequeno Grupo em sua casa ou na casa de outro cristão. É completamente possível que eles se convertam a Cristo. Creia nisso!

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

CRUZ, Valberto da; RAMOS, Fabiana. Pequenos Grupos: para a igreja crescer integralmente. Viçosa: Ultimato, 2007.

KISTEMAKER, Simon J. Comentário do Novo Testamento: Atos. Tradução de Ézia Mullins e Neuza Batista da Silva. São Paulo: Cultura Cristã, 2006.

RYLE, J. C. Meditações no Evangelho De Lucas. Tradução: Expository Thoughts on the Gospels LUKE. Editora Fiel da Missão Evangélica Literária: São José dos Campos, 2002.

 

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