Um ano do terremoto

Uma irmã de Santiago (Chile) lembra o horror daquele dia, mas também o livramento de Deus

No dia 26/02/10 saímos da cidade onde moramos (Santiago), no Chile, para Nacimiento, onde, no sábado (dia 27) teríamos a reunião da Assembleia. Fomos para a casa do meu sogro e às 3h30 da madrugada acordamos sendo movidos por um terremoto de 8.8 graus. A casa inteira se movia, parecia que estávamos dentro de um liquidificador, caía sobre nós muita poeira, livros de uma estante, não conseguíamos sair do quarto onde estávamos eu, meu esposo Pr. Juan Miguel e nossa filha, Brenda. Nos abraçamos e começamos a clamar por misericórdia a Deus. Ficamos chorando abraçados, parecia que nunca ia parar.

Quando os movimentos começaram a diminuir, saímos do quarto, descendo a escada com meus sogros, cunhada e sobrinho, no escuro, em meio a uma tremenda desordem, cacos de vidro no chão etc. Graças a Deus, milagrosamente ninguém se cortou. Saímos para fora da casa e ficamos dentro do carro até amanhecer, pois fazia muito frio e a terra continuava tremendo. Na segunda noite, também ficamos dentro do carro, em um campo de futebol, onde também estavam várias pessoas dormindo em cabanas, pois alguns estavam com suas casas danificadas. Nos supermercados, só podiam entrar dez pessoas a cada vez e já estavam faltando algumas coisas. Ficamos três dias sem nenhum meio de comunicação, água, luz, combustível racionado, sem dinheiro, pois os caixas eletrônicos também não funcionavam. E um aperto no coração muito grande, por não  poder nos comunicar com nossa filha Sandy e nossa família, no Brasil. Graças a Deus, nessa cidade onde estávamos, depois de uma semana as coisas começaram a se regularizar, sendo que em outras cidades, a 100 quilômetros, estava um caos total por causa do tsunami que entrou arrasando tudo e deixando muitos mortos.

Em meio a tudo isso, nossa igreja teve que ser demolida, pois caiu a parte da frente, apenas ajudamos a tirar algumas coisas de dentro. Ajudamos a organizar mantimentos para levar a outra cidade (Curanilahue) onde havia dez famílias de irmãos da nossa igreja que estavam precisando de ajuda.
Fomos para ficar três dias, acabamos ficando 15. Nossa filha, Brenda, adoeceu em função de tudo o que estava ocorrendo, mas logo se recuperou, graças a Deus. Voltamos para nossa casa pensando que encontraríamos tudo desordenado e, milagrosamente, estava tudo no lugar.

Como Deus é misericordioso, aqui estamos com a graça e a misericórdia dele! Pedimos que continuem orando pelo Chile, que orem pelo trabalho missionário neste país. E que Deus continue sendo misericordioso conosco.

Dsa. Suely dos Santos Valdebenito, da IAP em Santiago, Chile.

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