Um cântico de Celebração

“Porque tudo vem de ti, e das tuas mãos to damos.” (1 Crônicas 29:14)

Com toda a certeza, não existe nada mais encorajador e inspirador para uma canção do que chegar ao final de uma caminhada com êxito ou finalizar uma jornada com sucesso. Esse sentimento pode ser percebido nas torcidas de futebol, por exemplo, no momento em que o time para o qual se torce completa o campeonato de maneira vitoriosa. Músicas alegres e que celebram a vitória são compostas e cantadas até a exaustão pelos torcedores apaixonados. Em outras situações, quando representantes da nação retornam de uma competição com a vitória (como numa Olimpíada, por exemplo), podermos observar o florescimento de um grande sentimento de amor ao país e a celebração do hino nacional como a amostra da exultação de um povo.

Da mesma forma, nas Escrituras Sagradas percebemos várias canções e louvores que foram compostos depois de lutas marcadas por vitórias. A felicidade pela vitória, depois uma penosa jornada, com grandes dificuldades e tribulações, traz-nos canções ao coração. Esse é o exemplo da canção que Davi compôs e que está registrada em 1 Crônicas 29: 1-22. Ao olhar para sua trajetória de lutas, com vários obstáculos, Davi expressa o seu louvor ao Senhor. Esse homem reconhece que a razão da vitória em sua caminhada é a presença de Deus em sua vida. Através desse cântico podemos perceber uma visão correta de Deus, mas também uma visão correta do homem.

Em primeiro lugar, o cântico de Davi destaca uma visão correta de Deus. Ele celebra a vitória no Senhor imutável e eterno (versículo 10 – “Por isso Davi louvou ao SENHOR na presença de toda a congregação; e disse Davi: Bendito és tu, SENHOR Deus de Israel, nosso pai, de eternidade em eternidade.”), que também o ajudara na batalha diante do gigante Golias. É interessante que Davi percebe que,  se ele chegou ao fim das lutas com sucesso, é somente porque Deus continuava com o Seu amor fiel e constante. Em meio aos altos e baixos da vida, o Senhor continua o mesmo. Da mesma forma, Davi reconhecia que toda a honra e toda a glória, todo o poder e toda a vitória eram provenientes de Deus somente (“Tua é, SENHOR, a magnificência, e o poder, e a honra, e a vitória, e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu é, SENHOR, o reino, e tu te exaltaste por cabeça sobre todos. Riquezas e glória vêm de diante de ti, e tu dominas sobre tudo, e na tua mão há força e poder; e na tua mão está o engrandecer e o dar força a tudo. Versículo 11 e 12”).

Ao olhar para trás, o rei Davi reconheceu o agir divino durante toda a sua existência. Portanto, um Deus soberano e Senhor, que governa e reina é exaltado nessa canção. Por fim, um outro ponto a ser destacado, é a visão de um Deus providente e sempre presente (“SENHOR, nosso Deus, toda esta abundância, que preparamos, para te edificar uma casa ao teu santo nome, vem da tua mão, e é toda tua”). Em 1 Crônicas 29: 1-22 especificamente, Davi enfatiza que a provisão para a construção do templo viera das próprias mãos do Senhor, sendo suficientes para a sua obra.

Nesse louvor Davi também expressa uma visão correta do ser humano. Ele começa questionando: “Porque quem sou eu, e quem é o meu povo, para que pudéssemos oferecer voluntariamente coisas semelhantes?” – versículo 14. Para muitas pessoas Davi era muito importante: o rei de Israel, comandante de grandes batalhas, mas ele sabia que era apenas um pecador que precisava de Deus. Um outro aspecto presente na canção de Davi sobre a realidade humana é a sua transitoriedade: “como a sombra são os nossos dias sobre a terra, e sem ti não há esperança.” – versículo 15. Todos nós estamos de passagem sobre essa terra. Nada aqui nos prende e nossa vida se esvai rapidamente. Por isso, devemos colocar a nossa existência diante do Deus Soberano e Eterno, que nunca falha e é fiel.

Através da reflexão contida nesse cântico, que possamos ter uma visão correta do ser humano (como alguém transitório, que necessita de Deus), mas que possamos também ter uma visão correta de Deus – o Eterno e Imutável, Fiel e que nunca nos abandona, o Provedor e Senhor que sempre nos conduz em triunfo.

 

Dsa. Cláudia dos Santos Duarte congrega na IAP em Votuporanga (SP) e é diretora do Dijap da Convenção Noroeste Paulista.

 

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