Uma data histórica

O que o 11 de novembro de 2011 nos trouxe?

A expectativa era grande. Ainda não era a virada de ano, mas abriu-se contagem regressiva. Foi o assunto mais comentado, desde as redes sociais e telejornais, até as escolas e salões de beleza. Enfim, o dia chegou. Mas que dia? 11 de novembro de 2011. Isso mesmo. 11-11-2011 chegou e trouxe consigo variadas emoções. Pessoas se apoderaram supersticiosamente dele como se fosse um amuleto. Por exemplo, um daqueles raros dias que cresce a expectativa de jogar e ganhar na mega sena. Outros, porém, interpretaram, desesperadamente, essa data como se fosse o fim do mundo.

Deixando de lado toda superstição, o cineasta Darren Lynn Bousman anteviu, nesse dia, uma ótima fonte de lucro. O filme por título 11-11-11 estreou, em todo o mundo, na data. Outro evento que merece consideração foi o nascimento, na Austrália, de Max Benjamin Richards, que veio ao mundo exatamente às 11horas e 11 minutos de 11-11-2011. Esses fatos, que têm como maior curiosidade a data, fazem lembrar uma história, não menos real, relatada em Marcos 5: 21-43.

O texto diz que Jairo, um dos principais da sinagoga, foi até Jesus implorar que sua filha fosse curada. Jesus se dispôs a segui-lo até sua casa. Enquanto caminhavam, uma multidão se aproximou e uma mulher doente se aproximou ainda mais dele. Na verdade, ela tocou em Jesus. Evidentemente, a mulher que sofria de hemorragia foi curada pelo Senhor, que sara todas as doenças.

Jesus havia mudado o foco. Deixou de socorrer a filha de Jairo para curar a mulher. Esse período foi o suficiente para Jairo receber a triste notícia que sua filha havia morrido. As esperanças se foram, ou melhor, a única esperança, pois Jesus demorou para chegar. Porém, Jesus surpreendeu a todos quando foi à casa de Jairo e ressuscitou a menina. Revelou-se não apenas o que cura, mas o que dá nova vida.

Mas, que essa história tem haver com as datas acima mencionadas? Que relação é possível fazer? Um detalhe em Marcos 5:21-43 nos ajuda responder. O versículo 42 diz: “Imediatamente, a menina se levantou e pôs-se a andar; pois tinha doze anos…”. Já no versículo 25 relata: “Aconteceu que certa mulher, que, havia doze anos, vinha sofrendo de uma hemorragia…”. O detalhe importante é a quantidade de anos que cada versículo narra. Ambos dizem doze anos. Portanto, o texto ensina e retrata sobre a história de vida de muitas pessoas ou famílias.

Primeiro, ensina que às vezes é bom olhar para o início da história. Após ser informado sobre a morte de sua filha, Jairo rememorou doze anos e lembrou a alegria indescritível de receber em seus braços uma linda menina, olhar para seu pequeno rosto, se emocionar pela paternidade e chorar de celebração pelo início de uma nova vida. Aquela casa estava em festa! Mas, o choro de alegria, após doze anos, transformou-se em pranto, lamento, tristeza e dor.

Como é bom fazer um exercício mental e voltar ao passado. Lembrar das emoções vividas e compartilhadas com pessoas amadas. Como é bom recordar meses, anos ou décadas. Não é nostalgia, é lembrança! No entanto, às vezes, tudo muda e parece que o sonho tornou-se pesadelo. A dor do presente é tão intensa que invalida a alegria do passado. Mas, Jesus continua presente, e “sabe os planos que tem para vós, planos de paz e não de mal…”. (Jr 29:11)

O texto também ensina que, às vezes, é bom olhar para o fim da história. A mulher já havia gastado todo o seu dinheiro com médicos sem conseguir tratar e curar sua doença. Lembrar o passado, os exatos doze anos, era dramático e desmotivador. Ela, então, decide pensar no término daquele pesadelo. O choro de dor e tristeza deu espaço às lágrimas de gratidão e felicidade. Cumpriu-se o que as Escrituras Sagradas declaram: “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”. (Sl 30:5) Há doze anos a sua casa estava em pranto, mas agora vive em júbilo!

São inúmeros os relatos de pessoas e famílias que passaram pela amarga experiência de traição do cônjuge, filhos envolvidos com drogas, rebeldia dos filhos, destempero dos pais, doenças incuráveis ou mortes, mas que hoje, para glória de Deus, testemunham e celebram um final feliz.

Por fim, o texto ensina que o melhor mesmo é olhar para o autor e “concretizador” da história. Na narrativa de Marcos, além de a data ser comum, Jesus também o é. E isto faz toda diferença. Ambas as situações foram transformadas por ele. Não importa se a história começa feliz ou não. Não há situação que Jesus não possa modificar. Pode demorar um instante, doze anos ou até levar a morte, mas toda e qualquer circunstância está limitada a sua vontade, ao seu tempo e poder. Porque é saudável lembrar o início e o final de todas as coisas, mas é indispensável manter a atenção e o olhar em Jesus, pois ele mesmo é o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim. Glória, pois a Ele!

 

Alex Sandro Cruz Rodrigues é missionário da IAP em Salvador (BA).