Arrumando a nossa casa

Já estamos no terceiro mês de 2020 e talvez ainda na expectativa de que as coisas sejam diferentes e melhores do que foram em 2019. Por conta disso, é natural  no início de cada ano tomarmos decisões e estabelecermos propósitos de mudanças como: ler a Bíblia toda, organizar as contas, fazer dieta, trocar de carro e tantos outros objetivos que sem planejamento podem acabar se perdendo ao longo dos meses.

Também não é incomum  aproveitarmos o período para arrumamos a casa, fazermos aquela manutenção, aquela faxina pra renovar e iniciar o novo  com mais espaço. Quando se trata de organização, um método muito utilizado é o 5S1, cuja primeira das cinco etapas é o  Senso de utilização: separar o que é útil, do que é inútil, o que é necessário do que é desnecessário.

Mas isso nem sempre é fácil de fazer, porque na verdade, a maioria das pessoas gosta de guardar “tralhas”, mesmo que inúteis, num sótão, num cantinho na garagem, num armário velho, na esperança de que possa utilizar um dia. Porém, se ficarmos guardando tudo que adquirimos, tudo que ganhamos, tudo que usamos durante a vida, acabamos ficando sem espaço para coisas novas.

Infelizmente esse acúmulo acontece também com a nossa vida emocional e espiritual. Quantas coisas inúteis guardamos – lembranças, culpas, mágoas – que atrapalham o nosso progresso pessoal, nosso relacionamento familiar; que nos adoecem,   tiram a nossa paz com os irmãos e a nossa comunhão com Deus!

Dentre estas coisas talvez a mais difícil de se livrar seja a mágoa. Ainda assim há pessoas que são verdadeiros acumuladores de mágoas; tem um sótão ou um porão cheios de ressentimentos, apesar do mal que isto faz! Estudos2 demonstram que  a falta de perdão pode desencadear  doenças físicas como: dores musculares, hipertensão, problemas gástricos e respiratórios. Como o perdão está intimamente ligado às emoções, a falta dele também pode estar na base de distúrbios emocionais como:  estresse, crises de ansiedade, e até de uma depressão.

Mas porque parece tão difícil perdoar? A resposta, se é que existe, não é simples, pois somente Deus conhece o coração e as dificuldades de cada pessoa e não nos cabe julgá-la.  Porém, por mais improvável que pareça, há quem alimente ressentimento pensando tirar dele algum benefício, esteja consciente ou não disso.

A pessoa ressentida pode acreditar, por exemplo, quer estar na posição de ofendida desperta a compaixão dos outros, que ao vê-la como vítima lhe dedicam atenção especial. Ainda pode tentar usar a situação para justificar alguns de seus atos, principalmente aqueles que ofendem ou prejudicam os outros. É como se a mágoa desse salvo-conduto para manipular e maltratar as pessoas.  Colocando-se na posição de vítima ela também pode convencer-se de que está absolvida de qualquer responsabilidade por procurar entendimento e reconciliação, atribuindo isso apenas a quem a ofendeu.

Mas esses pensamentos e atitudes só pioram a situação, porque a mágoa é como um veneno que vai corroendo a pessoa aos poucos, matando seus relacionamentos, sua comunhão com Deus3 e sua paz. Ainda que alguns tenham facilidade para perdoar, infelizmente para muitos a mágoa dói de verdade, na alma e no corpo; não é “mi-mi-mi”.

Mesmo assim, há quem diga: “Eu não consigo!”, “Não tenho nem vontade de orar sobre isso”.  Ainda que você se sinta desse jeito, há solução, pois o perdão não é uma decisão do coração, é um exercício racional, de quem deseja recobrar a paz e a saúde emocional. E o melhor de tudo, é que por mais que você não tenha forças e nem vontade de perdoar, você não está sozinho nesta jornada! O Espírito Santo que “vem nos ajudar em nossa fraqueza”4, sabe direitinho como pedir socorro de Deus, “com gemidos que não podem ser explicados por palavra”5 . Não perca mais tempo! Deixe de lado seus sentimentos, seu orgulho, peça ajuda a Ele e o resultado com certeza será a cura e a volta da alegria verdadeira!

Não tem melhor maneira de começar um ano do que deixando a sua casa livre para que o Espírito Santo ocupe o lugar dele!

 

Notas

  1. 5S – Senso de utilização, Senso de organização, Senso de limpeza., Senso de padronização, Senso de disciplina
  2. https://www.dm.jor.br/opiniao/2015/07/as-consequencias-da-falta-de-perdao/, acessado em 01/03/2020
  3. Marcos 11:25
  4. Rom. 8:26
  5. Romanos 8:27
  6. 1Coríntios 3.16

 

 

 

 

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