Cuidado com os rótulos!

Categorizar as pessoas pode nos afastar delas, perdendo a chance de estabelecer relacionamentos

Em tempos de alimentação vegana, intolerância ao glúten e à lactose, dietas hipocalóricas e alergias as mais diversas, tornou-se essencial ler os rótulos dos alimentos. Da mesma forma, a fé na abstinência de alguns alimentos demanda esse cuidado. Não só questões alimentares, mas também a preocupação ecológica tem levado as pessoas a prestarem cada vez mais atenção aos rótulos de produtos de beleza, higiene e até do vestuário. Parece exagero, mas tem gente que não consome nada sem saber sua origem e composição.

Os rótulos são úteis porque servem para descrever o conteúdo de uma embalagem, suas propriedades e riscos que eventualmente ofereça. Eles simplificam a nossa vida e mesmo que não tenhamos um motivo especial para isso, ler os rótulos é uma boa prática para saber o que estamos levando pra casa.  Mas existem situações onde os rótulos podem não ser tão bons assim: quando eles são aplicados às pessoas. Desses não conseguimos fugir, pois o tempo todo recebemos rótulos e os colocamos nos outros.

Os que recebemos são principalmente fruto de nossa criação e de nosso relacionamento com pessoas próximas. A maioria de nós ouviu coisas boas e ruins a seu respeito, durante toda a vida.  Bem ou mal, sobrevivemos às marcas que nos foram colocadas pelos pais, pelos professores e pelos amigos. Como consequência há pessoas que levam para a vida adulta marcas emocionais profundas e percepções distorcidas de si mesmas. Relacionamentos são prejudicados, capacidades e potenciais são desperdiçados por conta de críticas, palavras pesadas e comparações, que foram grudados com eficiência em nós.

A prática de rotular se tornou tão comum, que hoje em dia qualquer pessoa, mesmo sem nenhum conhecimento profissional, se acha competente para diagnosticar um problema emocional ou de comportamento. Assim, é comum ouvirmos que uma pessoa age de tal maneira porque “sofre de depressão”, “tem TOC (Transtorno Obssessivo-Complusivo)”, “está surtada”.  Ao agir dessa maneira irresponsável, procuramos uma forma simples e conveniente de descrever os comportamentos do outro, colocando nele uma marca. É um jeito de nos distinguirmos e afirmarmos a nossa “normalidade” na suposta “anormalidade” do outro.  Essa simplificação também nos serve de álibi para não nos envolvermos, pois a mesma habilidade que demonstramos para rotular, não apresentamos na hora de ajudar, jogando o problema para a esfera profissional.

Assim, da mesma forma que os rótulos dos produtos simplificam a nossa vida, procuramos simplificar as nossas relações pessoais categorizando as pessoas pela aparência, pela classe social, pela religião, pelas qualidades morais e posicionamento político, dentre outros. Quando agimos assim, além do sofrimento que causamos, nos afastamos das pessoas e perdemos a chance de estabelecer relacionamentos mais profundos com elas, inibindo riquíssimas oportunidades de troca, de crescimento e até mesmo de evangelismo.

O próprio Jesus foi vítima de rótulos: foi chamado de beberrão, glutão, subversivo, amigo de pecadores, sendo que muitos dos que o seguiam de perto foram incapazes de saber quem Ele era de verdade. O mais incrível foi ter sido reconhecido na sua essência por um ladrão na cruz, que num único e doloroso contato, viu nEle o Salvador da humanidade!

É fato que não conseguimos fugir dos rótulos quer como vítimas, quer como algozes. Porém, como pais precisamos tomar cuidado com o que falamos, para não ferir ou paralisar o potencial de nossos filhos; como filhos, perdoar nossos pais por palavras pesadas, que não precisamos carregar como uma marca para o resto de nossas vidas; como cristãos, jamais esquecer de que Cristo nos vê e nos aceita além das marcas que carregamos, verdadeiras ou não.  Que possamos julgar menos e ver mais como Ele: não com os olhos, preferências ou opiniões, mas com o coração!

 

 

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