Divina transgeracionalidade

Podemos transpor a dificuldade de diálogo entre as gerações

A dificuldade de diálogo entre as gerações é algo crescente, inclusive entre líderes cristãos e, certamente, os efeitos danosos dessa evidente intolerância também. As gerações Baby Boomer (1946-1964) e X (1965-1976) reclamam do desrespeito, desvalorização do passado e excesso de questionamento das regras por parte das gerações Y (1977-1990) e Z (1991-2003). As gerações Y e Z reclamam da lentidão de reação frente às mudanças crescentes, a subjugação alienadora e o controle e preconceitos excessivos da Baby Boomer e da X. A tensão entre passado e presente compromete o futuro, que só pode ser bem sucedido mediante a conciliação de ambos, especialmente percebendo-se que a vida é processo e não um apanhado de partes isoladas.

As gerações Y e Z cresceram em meio ao mundo digital criado e desenvolvido pelas Baby Boomer e X, assim como essas últimas viverão sua velhice no mundo continuado pelas duas primeiras. O grande desafio cristão é a quebra do orgulho humano, também nesta questão, para que todos percebam que o foco da discussão por trás de tudo é a relação conteúdo e forma.

O conteúdo da fé cristã, princípios e valores divinos, que devem pautar o exercício ético diante dos eventos do mundo é atemporal e acultural e, portanto, deve ser transgeracional. Já a forma de ensinar e realizar no contexto da vida, esta é temporal, cultural, geracional. Discernir entre choque geracional – a nossa dificuldade de aceitar o outro – e problema geracional – pecados marcantes em cada geração – são coisas distintas e todos devem ter humildade de reconhecer e aprender o que lhes cabe.

O melhor exemplo bíblico disso é a relação entre Moisés e Josué. Cada um teve sua importância, seu modo de agir, mas ambos tinham algo em comum: temor, submissão e vontade de servir a Deus. A prioridade de ambos era fazer o que era correto aos olhos de Deus, mesmo em meio às suas dificuldades humanas. Moisés tinha um temperamento forte, um tanto explosivo e perdeu a oportunidade de entrar na Terra Santa por bater descontroladamente em uma rocha. Josué teve medo de dar continuidade à grandiosa liderança de Moisés e Deus precisou encorajá-lo a não temer, lembrando-o de que estava com ele, ou seja, que o seu agir era só de instrumento. A liderança de Moisés marcou a libertação do povo de Deus do Egito; a liderança de Josué marcou a tomada de posse da Terra Santa pela nova geração.

Josué começou como assistente de Moisés desde Ex 17; foi apresentado como sucessor de Moisés antes de sua morte (Nm 27.12-23; Dt 3.28; 31.1-8); mas continuou humilde até o final do ministério de Moisés. Ambos são expoentes da liderança do povo de Deus, mas cada um bem distinto em sua geração. Alguns são mais famosos, como Moisés; outros são imprescindíveis para a continuidade, como Josué. Mas todos, sem exceção, são importantes filhos de Deus. Cabe a cada um reconhecer o seu devido lugar no Reino, mais do que na existência finita, mais do que na sua geração.

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