Ofereça o ombro, em vez de apontar o dedo

Se desejamos obter reconhecimento e respeito, nós, mulheres, precisamos começar por nós mesmas, valorizando o trabalho das outras, vendo-as como irmãs, não inimigas e sendo solidárias

Um dia desses, voltava do trabalho de ônibus quando ouvi um comentário sobre a condutora: “Com essa mulher dirigindo vamos chegar amanhã!”. Sabemos que situações como essa são comuns, principalmente quando uma mulher ocupa função tradicionalmente masculina e, vamos combinar, até mesmo quando não! A realidade é que muitas pessoas têm a tendência de desqualificar um trabalho pelo simples fato de ser feito por uma mulher. O mais triste é quando isso vem de outra mulher, como nesse caso. Mas isso também não é novidade, pois o preconceito não tem gênero!

Talvez uma das razões para isto é que, historicamente, estamos acostumados a reconhecer a figura masculina associada à força, provisão e liderança e a feminina ao cuidado, apoio e assistência.  Então, quando nos deparamos com uma situação destoante dessa convenção, nossa tendência é reagir com desconfiança.

Por outro lado, desde pequenas, as mulheres são incentivadas a assumir funções que envolvem dependência e não iniciativa e autonomia, o que gera nelas próprias dificuldade para confiar no trabalho e na capacidade feminina, quando requerem essas habilidades. Quem nunca ouviu uma mulher dizer: “Prefiro médico homem”, “Ter mulher como chefe? Longe de mim!”

Mas, infelizmente não é somente em relação à questão profissional que mulheres têm reservas umas com as outras. Somos as primeiras a criticar outras mulheres quando erram. Cobramos mais retidão moral da mulher do que do homem. Aceitamos com certa naturalidade que um homem tenha passado por vários relacionamentos, sendo até capazes de atribuir isso a “falta de sorte”. Já uma mulher, na mesma situação costuma ser vista como alguém de “moral duvidosa”.

Por outro lado, parece que estamos sempre prontas a reparar e criticar a aparência de outra mulher: cabelo, roupas, forma física, marcas da idade, dentre outras. Também achamos normal um homem desleixado acompanhado de uma mulher que se cuida, mas torcemos o nariz quando acontece o contrário. Da mesma forma, um homem bem mais velho que sua companheira pode até inspirar elogios à sua virilidade, enquanto uma mulher mais velha que seu marido parece destoante até mesmo para olhos femininos.

Lamentavelmente, além dos aspectos sociais, também perpetuamos visões deturpadas em relação ao nosso próprio gênero, quando nos referimos a outras mulheres como: invejosas, pouco confiáveis, potenciais inimigas e sempre dispostas a nos roubar algo. Mitos como da sogra má, da mãe que inveja a filha, da “amiga fura olho” nos fazem acreditar que não somos capazes de desenvolver entre nós vínculos baseados no amor e na confiança.

A verdade é que mulheres, tanto quanto os homens, precisam ter autocrítica e reconhecer suas potencialidades e limitações, mas isso não significa  viver em função de expectativas que criaram para nós e que acabamos assumindo e cobrando umas das outras. Falta-nos empatia e por isso tratamos outras mulheres com a mesma crítica e falta de tolerância que experimentamos em nossa vida, num ciclo que nunca acaba.

Se desejamos quebrar este ciclo, obter reconhecimento e respeito, precisamos começar por nós mesmas, valorizando o trabalho de outras mulheres; vendo-as como irmãs e não inimigas; sendo solidárias, mesmo quando pensamos diferente; repudiando palavras ofensivas ou que exponham outra mulher; oferecendo o ombro em vez de apontar o dedo. E por que você faria isso? Simplesmente porque você é uma delas!

 

 

 

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