Graça inspiradora

Uma mulher que atendeu ao chamado de Deus, manifestando a graça dele na vida de muitas crianças

Graça, segundo o Dicionário Barsa de Língua Portuguesa, signi­fica dádiva, mercê, favor que se recebe ou se dispensa. E para cerca de dezenas de famílias da comunidade do Jardim Ângela, zona sul de São Paulo, graça também tem outro significado.

 

Esse é o nome de uma mulher inspiradora: Graça Costa Souto, 55 anos, da Igreja Adventista da Promessa em Jardim Ângela, que reúne hoje cerca de 25 pequeninos todos os sábados à tarde para falar de Jesus e plantar sementes de esperança nesses corações, o que já resultou na conversão de mais de 50 crianças a Cristo.

O projeto começou há 15 anos, na sala da casa de Graça, com o nome de “Alegria de Criança”. Com o aumento do número de participantes, teve que ir para a garagem, depois para o corredor da casa, até que não coube mais.

O projeto começou de uma pergunta que Graça fez ao Senhor. Um dia, muito triste, sentada na calçada, ela orou manifestando o seu desejo de servir às pessoas, e Deus lhe respondeu: “Minha serva, vá cuidar de crianças!”.

Na época, ela ainda não atuava com o ministério infantil e ficou muito surpresa, mas obedeceu ao chamado. Convidou as crianças da vizinhança para irem à sua casa e começou a cantar com elas. Graça conta que, nesse período, ninguém acreditava na iniciativa e foi muito difícil. Mas, pelo favor de Deus, o projeto foi crescendo cada vez mais e a pequena sala já não comportava as crianças.

Ela começou a procurar um outro imóvel. Com o marido desempregado, sem ter recebido a verba rescisória da empresa onde trabalhava e sem ter os recursos financeiros necessários, em uma atitude de muita fé e coragem, ela se apresentou ao vendedor de uma casa próxima. Ele perguntou o motivo do seu interesse na compra da casa, e ela lhe explicou. Ao ouvi-la, o proprietário concluiu: “Então, é você quem vai comprá-la, porque o Espírito Santo já havia me avisado.” E Deus providenciou cada recurso. Muitos irmãos ajudaram na reforma da casa, porque acreditaram que Deus usaria o projeto para salvar crianças. Posteriormente, em uma oferta generosa de amor, a família disponibilizou a casa exclusivamente para o projeto.

A dinâmica dos encontros sempre foi bem simples e com muito amor: a família convida as crianças da região durante a semana, no “boca a boca” com planfletos. Nas duas horas em que ficam juntos no sábado, os pequeninos participam da Escola Bíblica especial, com louvores, histórias, atividades e brincadeiras. Eles têm incentivos de presença e estudo. As crianças que não têm Bíblia a ganham como presente. No final, elas recebem um lanche e quem leva um visitante, em geral, ganha um brinde especial: uma deliciosa caixa de bombons.

Bexigas no teto

O teto do canto da sala é cheio de bexigas, não apenas em dias de festa. As crianças são convidadas a escreverem seus pedidos de oração em papéis, que são colocados dentro dos balões e presos no teto, para que eles lembrem de orar pelos pedidos em todos os sábados.

Todos os encontros têm também o “Momento de Bênção”, em que as crianças podem testemunhar sobre orações que foram atendidas. E os testemunhos são muitos!

Em um sábado aparentemente comum, um garoto de 12 anos, que tinha acabado de ouvir a história da cura de Jesus a um paralítico, questionou: “Mas Deus cura mesmo?”. Graça, sem saber o que lhe esperava, afirmou que sim. O menino rapidamente emendou: “Então, ele vai curar meu pai!”.

O pai dele tinha acabado de ter um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e estava acamado, sem movimentos. Graça e seu marido foram visitá-lo e oraram por ele. Na semana seguinte, o menino disse: “Tia, não é que Jesus cura mesmo? Meu pai já está se movimentando”. Eles continuaram orando por quatro sábados, juntamente com as outras crianças e todos puderam ver a cura completa. Graça pôde ver esse homem ir à sua casa, andando, para a glória de Deus.

O menino Tiago cresceu, hoje está casado e mora em Minas Gerais. Mandou um recado à Graça por sua avó: “Por favor, não pare com este trabalho, porque eu e minha família fomos salvos por causa do ‘Alegria de Criança’”.

Graça teve que interromper o projeto por quatro anos, devido a diversas enfermidades. Foi um período muito difícil, pois as crianças, quando a encontravam, sempre perguntavam quando a escolinha iria retomar suas atividades.

Desenganada pelos médicos, com o útero cauterizado, os ciclos menstruais começaram a juntar, o útero começou a inchar e a barriga não parava de crescer, gerando muitas infecções. Ela chegou a ouvir a médica dizer: “não tem mais jeito para você, não podemos mais ajudar”.

Mas ela fez um propósito com o Senhor para que fosse curada e tivesse condições de retomar o projeto. Deus a fez expelir toda a enfermidade, colocou um outro médico em seu caminho, que iniciou um tratamento e hoje ela está muito bem.

Mesmo sem ter a estrutura anterior, novamente com muita fé, a família reiniciou o trabalho há sete meses, com um novo nome: Nova Geração. Suzana Costa Souto, filha de Graça, foi também aluna da primeira geração do projeto. Hoje, com 25 anos, teve participação ativa para o reinício das atividades com dois atos de fé.

Primeiro, ao tirar a carteira de habilitação, ela fez um voto ao Senhor que, se passasse na primeira tentativa, ofertaria o valor da segunda prova para o reinício dos trabalhos. Foi aprovada na primeira prova!

O segundo ato foi que, quando ela se preparava para o vestibular, pediu ao Senhor que passasse em uma faculdade pública, pois assim poderia contribuir com o projeto financeiramente. Esse seria o sinal para a retomada dos trabalhos. Ela passou na Fatec (Faculdade de Tecnologia de São Paulo), no curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e hoje auxilia a mãe em todos os sábados, cuidando de uma das salas.

Aprendendo com a formiga

Graça diz que no tempo de espera eles aprenderam muito com o exemplo da formiga, que não para nunca. “Mesmo que destruam sua casa, ela começa de novo”, diz a idealizadora. E continua: “Para cada semana, há um novo desafio, mas sempre que os recursos estão se acabando, Deus levanta alguém para ajudar”.

O projeto ainda não conta com apoio financeiro de nenhuma instituição. É pelo ânimo de Graça e sua família – e pela graça de Deus, que ele tem se sustentado, com a ajuda de ofertas, de pessoas amigas. Até mesmo os pais das crianças, não convertidos, ajudam com o lanche, pois eles também acreditam que o projeto pode transformar a vida de seus filhos.

Uma mãe que antes a perseguia muito, porque não queria deixar seus filhos participarem, agradece porque hoje toda a sua família está convertida a Cristo: “Essa mãe me agradeceu por não termos desistido de seus filhos.”

O projeto não tem restrição de idade. Mesmo que a criança seja bem pequena, elas permitem que o pequeno participe com a mãe, para que esta também possa ouvir a Palavra de Deus.

Graça faz a divulgação durante o seu trabalho, vendendo Tupperware de casa em casa, momento em que tem acesso diretamente às crianças para convidá-las. Os participantes vêm da comunidade que fica atrás do imóvel e alguns, como o Pedro, de apenas 2 anos e 8 meses, descem e sobem uma escadaria de 70 degraus para chegarem.

Vinicius, com sete anos, diz que gosta das liçõezinhas. Catarina, também com sete anos, diz que gosta mais de cantar. Já Ana Carolina (8 anos), afirma que gosta mais das brincadeiras. Ronei, de 14 anos, diz que gosta de tudo, mas aprecia mais o lanche. Graça sabe dessa realidade carente, por isso se empenha em manter a estrutura. “Eles podem até vir pelo lanche, mas o mais importante é que a criança leve o evangelho para dentro de casa”, analisa.

O sonho de um local maior

Dioclécio Macilon Souto, marido da idealizadora, também ajuda toda a semana. Ele conta que, próximo do horário de início, as crianças já começam a chegar e bater à porta. E se os organizadores chegam mais cedo, eles já querem entrar para começar as atividades. Ele reforça a importância que este momento tem na vida delas e tem convicção de que “daqui cinco anos, serão jovens diferentes”.

As crianças de outras religiões, como muçulmanas e espíritas, também são acolhidas com o mesmo amor. A estrutura é simples mas “as crianças estão crescendo e conhecendo o amor de Deus”. Ela lista vários nomes de crianças da primeira geração do projeto que hoje são líderes, em diferentes denominações evangélicas.

O sonho de Graça é alugar um salão maior para comportar ainda mais crianças e também poder atender aos jovens que já cresceram e que querem retornar ao convívio do projeto. Apesar de toda a dificuldade que passaram e ainda passam, ela é esperançosa: “vamos ficar velhinhos e ver as crianças que evangelizamos com a Bíblia na mão, com uma vida diferente”, prevê Graça. A filha Suzana vislumbra ainda algo maior: “no futuro, estas crianças poderão evangelizar outras crianças. Estes adultos influenciarão outras pessoas. E isso faz toda a diferença.” Na vida dessas crianças e, consequentemente, na vida dessas famílias, a Graça e a graça de Deus seguem fazendo toda a diferença.

Pergunte hoje ao Senhor, com fé, o que você também pode fazer para o seu Reino. Você pode se surpreender.

Talita Pazinato é relações públicas e congrega na IAP em São Caetano do Sul (SP).

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