NÃO BASTA SER PAI, TEM QUE PARTICIPAR!    

 Mensagem para o dia dos pais

Quando estava no seminário, em São Paulo, lembro-me de um professor amigo, Pr. Aléssio, ponderar, em um dos momentos de almoço com a gente, sobre o “estar preparado” para o ministério. Em sua fala, ele dizia que uma vez lhe perguntaram se antes de se tornar pai, estava preparado, e sua resposta foi não, pois ainda não era, como poderia saber se estava preparado? Então continuou: “E, depois do primeiro filho, estou preparado para ser pai de um segundo? Também não, pois ainda não sou, saberei quando for”. Uma verdade muito simples, mas que carrego para a minha vida, em todas as áreas, até hoje.
Aqui em casa todos gostamos muito de música. Não faz muito tempo, descobrimos um grupo musical infantil sensacional que, ao mesmo tempo em que diverte a criançada, de forma criativa, cativante e educativa estimula a coordenação motora e, toda a família embarca com muita alegria. É o Grupo Tiquequê. Nessa descoberta me emociono muito com a letra de uma de suas canções, “Nasceu Mamãe, Nasceu Papai”:
 
Você era uma moça muito esperta. Que fazia e acontecia; Mas não era mãe.
Você era uma pessoa encantadora; Trabalhadora, estudiosa, mas não era mãe.
Só porque eu não existia (2x)
Você era um cara cheio de ideias; Que pensava sobre a vida. Mas não era pai;
Você era competente em tudo o que fazia. Mas não sabia ser papai.
Só porque eu não existia (2x)
E foi naquele dia, depois de nove meses; Quando a gravidez chegou no final;
Era hora! Faz força! Tá quase! É agora! Lá de dentro eu ouvi o sinal.
Nasceu mamãe, nasceu mamãe; Mamãe nasceu, quando eu nasci, nasceu mamãe;
Nasceu papai, nasceu papai; Papai nasceu, quando eu nasci, nasceu papai.
 
Acesse a música em: https://youtu.be/FyHutIoKlVA
 
Olhando para Bíblia, particularmente, gosto muito do texto de Paulo, quando se compara a um pai, para os tessalonicenses:
 
Irmãos, certamente vocês se lembram do nosso trabalho esgotante e da nossa fadiga; trabalhamos noite e dia para não sermos pesados a ninguém, enquanto lhes pregávamos o evangelho de Deus. Tanto vocês como Deus são testemunhas de como nos portamos de maneira santa, justa e irrepreensível entre vocês, os que crêem. Pois vocês sabem que tratamos cada um como um pai trata seus filhos, exortando, consolando e dando testemunho, para que vocês vivam de maneira digna de Deus, que os chamou para o seu Reino e glória (1 Ts 2:9-12, grifo nosso).
 
Hernandes Dias Lopes escreveu um livro para liderança pastoral: De pastor a pastor. E, com base neste texto, ele destaca o exemplo do ministério pastoral de Paulo como um pai espiritual. Citando Wiesrbe, ele afirma que “O verdadeiro pai é não apenas o que gera filhos, mas também o que cuida deles”. No texto bíblico, Paulo fala de si mesmo, para lembrar aos tessalonicenses algumas características sobre a paternidade, que tem nos ajudado muito. Pois bem, como um pai pode participar da vida de seus filhos?
 
Em primeiro lugar, sendo um bom trabalhador (vs. 9).
 
Embora a igreja de Filipos tivesse enviado dinheiro para ajudar Paulo em Tessalônica, duas vezes (Fp 4. 15,16,) e embora ele tivesse o direito de exigir o sus-tento da igreja, (1Ts. 2.7), Paulo decidiu trabalhar para se sustentar (2Ts. 3.6-12). Um dos papeis do homem é o de provedor, e, na maioria das vezes, com a ajuda da es-posa, portanto, um pai trabalha para sustentar a família. Mas não é somente pra fora, o pai que participa também ajuda nos afazeres de casa. Desde o inicio, Karina e eu entendemos que o lar é nosso, portanto partilhamos tudo, inclusive as tarefas de casa. Eu também lavo a louça, limpo o chão, lavo o banheiro, cozinho, passo a roupa, tiro o lixo, faço mercado. Com os meninos, desde o começo, troco fraldas, dou banho, levo à escola, escolho a roupa. Fazemos tudo juntos! E, porque não faria? Aprendi com meus pais quando criança que é assim que se faz. Meu pai foi quem me ensinou a fazer arroz pela primeira vez. Minha mãe sempre trabalhou fora para ajudar em casa. Então quando chegavam à tarde, os dois faziam tudo juntos. Conforme meus irmãos e eu fomos crescendo aprendemos com eles e dividíamos as tarefas.
É claro que nem sempre gostávamos. Ainda é assim. Mas não é justo a mãe cuidar de tudo sozinha. Além do mais, se eu faço alguma coisa, não faço porque sou referência de bondade para alguém. Eu preciso vencer a preguiça e a indisposição para fazer toda vez. Isso tem uma repercussão muito positiva em nossos fi-lhos, pois nosso exemplo torna mais eficiente o ensino que lhes transmitimos. Em casa, nosso filho mais velho, de 6 anos, é quem troca o lixo do banheiro, nem sem-pre ele quer, mas faz direitinho. Esses dias ele terminou de lavar a louça para mãe. Por mim mesmo, não quero e não consigo fazer essas coisas. Mas Deus trabalha por nós o tempo todo, e por nos amar trabalha em nós também. Se, fazemos tudo juntos, é porque nos amamos, sobretudo, é porque o nosso Pai celestial fez muito mais por nós e nos amou primeiro e concede-nos força a cada dia.
Em segundo lugar, tendo um bom procedimento (vs. 10).
 
Paulo tinha um bom procedimento com relação a Deus, consigo mesmo e com o os outros. Ele vivia de maneira santa. Tinha uma vida piedosa. Era um homem de oração. Tinha uma postura justa. Era um homem integro e não de duas caras. Mas também era irrepreensível. Ele tinha um bom relacionamento com as pes-soas. Viver de maneira santa, justa e irrepreensível não são escolhas que podemos fazer, para viver separadamente. Os três adjetivos estão juntos no exemplo de Paulo e devem ser perseguidos por nós com perseverança simultaneamente. Na correria que vivemos em nosso tempo, é um desafio desenvolver uma vida de oração, por exemplo.
Mas temos lutado para fazer um culto doméstico diário com nossos filhos, o que nem sempre conseguimos. Porém, não queremos desistir, pois esse momento faz a diferença para nós e entendemos que se trata de uma necessidade espiritual. Estevão já teve algumas experiências de curas e paz enquanto oramos juntos. Ele ora desde pequeno. Mas tem dias que não quer orar, assim como nós também não queremos. Mas sempre insistimos com ele e também com o nosso caçula de dois aninhos, que normalmente fica inquieto nessas horas. Procuramos treinar o caráter deles para serem honestos em tudo e com todos. Não é fácil, precisamos da ajuda de Deus todos os dias. E ainda bem que Ele nos ajuda pela sua bondade inesgotável. Pois sem o Senhor do nosso lado para nos sustentar, além de não fazermos o que é correto aos seus olhos e aos olhos dos outros, corremos o risco de fazer o contrário.
 
Em terceiro e último lugar, tendo boas palavras (vs. 11-12).
 
Wiersbe também disse que “um pai não deve apenas sustentar a família com seu trabalho e ensinar-lhe com seu exemplo, mas também deve ter tempo para conversar com os membros da família”. Paulo ensinava, encorajava, consolava e confrontava cada filho espiritual, individualmente. Será que temos tempo para conversar com nossos filhos ou sempre estamos ocupados com alguma coisa ou com algum adulto? Hoje em dia, os dispositivos eletrônicos (tablets, celulares, entre outros), passam mais tempo dialogando com eles do que nós. Este também é um empreendimento que lutamos para pôr em prática. Até por causa dos malefícios que o uso contínuo destes pode acarretar no cérebro de nossos filhos. Cientistas comprovam que o uso do celular e seus similares, por mais de uma hora seguida, em crianças de 2 a 5 anos prejudica lhes no desenvolvimento. Até dois anos é contraindicado!
 
Essa também foi uma descoberta recente para nós. O desafio agora é tirar aos poucos para não causar um trauma abrupto neles. Então tentamos passar mais tempo de qualidade com eles, conversando, brincando, passeando, fazendo com-pras. Eles valorizam as coisas simples. Quando estou conversando com alguém e um deles vem chamar a minha atenção, procuro interromper a conversa, para dar atenção a eles. Enquanto escrevo, já parei várias vezes para responder e ajudar o mais velho com o dever de casa. São nesses momentos que lhes ensinamos mais. Quando estão errados e lhes corrigimos, também; eles choram, sofrem, e sofremos com eles. Mas aproveitamos a oportunidade para explicar-lhes o porquê da corre-ção. Abraçamo-nos e dizemos que amamos um ao outro. Isso realmente tem sido um grande aprendizado para mim.
 
Enfim, quando recebi o presente de ser pai pela primeira vez e nos dias se-guintes, até hoje – e agora, pai pela segunda vez – foi exatamente o que refletimos naquela conversa do almoço no seminário e a música do Tiquequê expressa isso com muita lucidez. Quando meus filhos nasceram, nasceu mamãe, nasceu papai. Aprendemos com a chegada do Estevão, ou melhor, estamos aprendendo. E com o nascimento do Jessé Augusto é a mesma coisa. Não sabia o que era ser pai de um menino, tampouco o que seria ser pai de dois meninos.
 
Não é porque temos dois filhos que não somos “pais de primeira viagem”. Sempre será uma viagem nova. A cada etapa da vida, deles e nossa, temos uma aventura diferente, onde aprendemos tanto com os erros quanto com a prática necessária e participativa de pai. Afinal de contas, “Não basta ser pai, tem que participar!”. Mas para isso, dependemos integralmente da Graça de Deus, o nosso Pai de amor, que entregou o seu único Filho, Jesus, para que recebêssemos o direto de sermos chamados seus filhos novamente (Jo 1:12; 3:16). Sejamos pais como Paulo foi para os tessalonicenses, tendo como modelo maior nosso Deus, para que nossos filhos vivam de maneira digna de Deus, que os chamou para o seu Reino e glória.
 
Mateus Silva de Almeida, pai de Estevão (6 anos) e Jessé Augusto (2 anos), casado com Karina Almeida há 8 anos. Pastor em tempo integral na Convenção Paulista da IAP desde 2010.
 
Referências
 
LOPES, Hernandes Dias. De pastor a pastor: princípios para ser um pastor segundo o coração de Deus. São Paulo: Hagnos, 2008.
 
ROBERTS, Michelle. Celular e tablets para crianças: passar muito tempo usando eletrônicos pode prejudicar desenvolvimento. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/geral-47036386> Publicado em 29/01/2019 – 06h57, Acesso em: 09/08/2019.

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